Venezuela expulsa Human Rights Watch após relatório

A Venezuela expulsou os representantesda organização de direitos humanos Human Right Watch, após aentidade com base nos Estados Unidos ter acusado o presidenteHugo Chávez de acabar com a democracia durante os quase 10 anosem que está no poder. O chanceller venezuelano, Nicolás Maduro, advertiu que opaís continuará se defendendo de ataques internacionaisexpulsando qualquer estrangeiro que critique o governo. "Estrangeiro que venha opinar contra nossa pátria seráexpulso de maneira imediata. Os que pretendem seguir nestesjoguinhos devem saber a que devem se ater", disse o diplomata. A decisão pode tornar ainda mais tensas as relações entre olíder venezuelano e Washington, seu principal comprador depetróleo, uma semana depois da expulsão do embaixadornorte-americano da Venezuela, e a resposta dos EUA na mesmamoeda. A organização HRW denunciou em um relatório entitulado "Umadécada de Chávez: Intolerância política e oportunidadesperdidas para o progresso dos direitos humanos na Venezuela",apresentado em Caracas na quinta-feira, que não existeseparação de poderes no país e que Chávez controla todos ostribunais. Mais cedo, a chancelaria disse em um comunicado que osrepresentantes da HRW, José Miguel Vivanco e Daniel Wilkinson,foram expulsos por "agredir as instituições da democraciavenezuelana, interferindo ilegalmente nos assuntos internos denosso país". A organização afirmou em um comunicado que a medidaressalta a intolerância do governo. "A expulsão da equipe da Human Rights Watch deixa maisclaro que a Venezuela está indo pelo caminho da intolerância",disse o diretor executivo da HRW, Kenneth Roth, citado nocomunicado. "As liberdades civis na Venezuela estão em perigo",acrescentou. Maduro classificou Vivanco como mentiroso, e disse que ochileno está vinculado com os setores de ultra-direita e com aditadura de Augusto Pinochet no Chile. O governo chileno classificou a expulsão como uma medida"desproporcionada". EXPULSÃO DEFINITIVA A HRW afirmou que durante a expulsão foram confiscados ostelefones celulares dos dois funcionários, e que eles nãopuderam contatar suas embaixadas. Eles foram escoltados porautoridades até serem colocados em um avião com destino a SãoPaulo. Vivanco disse na capital paulista que a Venezuela nãopermitirá sua entrada no país enquanto Chávez governar. No aeroporto de Guarulhos, enquanto aguardava para embarcarpara os EUA, Wilkinson afirmou à Reuters que havia seis homensarmados no carro que os levou ao aeroporto em Caracas. "Foi uma experiência muito, muito desagradável, mas estamosbem. Acredito que essas ações realizadas pelo governo só chamammais a atenção internacional para os problemas de que estamosfalando", contou Wilkinson. "Ter sido expulso desta forma foi um ato claro de censura euma evidência de que nosso relatório estava certo." Imagens da televisão estatal mostraram funcionários indo, àmeia-noite, ao hotel em que se hospedavam Vivanco e Wilkinsonpara informá-los de sua expulsão imediata. Os dois foramacompanhados até o aeroporto. "O motivo?", perguntou Vivanco, surpreso, à porta. "A violação ao visto com que você ingressou no territóriovenezuelano. É um visto de turista, autorizado para atividadesde lazer e recreação. Além disso, suas declarações contêmfrancas violações à legislação venezuelana", respondeu ofuncionário, sem dar mais detalhes. A HRW é uma organização não-governamental independente, masChávez a acusa de trabalhar para o governo de George W. Bush,que chamou a Venezuela, na quinta-feira, de autocracia. A oposição acusa Chávez de criar esse tipo de polêmica nopaís para desviar a atenção dos problemas enfrentados pelosvenezuelanos, como a inflação e a criminalidade, a semanas daseleições regionais. (Com informação adicional de Deisy Buitrago e de PeterMurphy em São Paulo)

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