Venezuela faz contagem regressiva para resgate de reféns

A Venezuela vive grande expectativanesta sexta-feira para a caravana aérea que parte nas próximashoras do país em direção à selva colombiana para recolher trêsreféns prometidos pela guerrilha Farc. A operação, coordenada por Caracas com a participação demonitores internacionais, é uma espécie de revanche para opresidente Hugo Chávez, incomodado com o fato de ter sidorecentemente afastado pelo governo colombiano da tentativa demediar a libertação de um grupo maior de reféns. Chávez disse em discurso na sexta-feira que a entrega dosreféns dependerá das condições climáticas na região, mas podeacontecer "nas próximas horas". Já a Cruz VermelhaInternacional, também envolvida na operação, disse na Colômbiaque a libertação não deve ocorrer na sexta-feira. Os aviões e helicópteros decolarão do sudoeste da Venezuelaem direção a Villavicencio, cerca de 90 quilômetros a sudestede Bogotá. De lá, o grupo partirá para um local não revelado,onde devem ser entregues a ex-deputada Consuelo González, 57anos, a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas, 43, e ofilho dela, Emmanuel, de 3 anos. A libertação desses três reféns desperta esperanças defuturas negociações para a devolução de centenas de pessoasmantidas em cativeiro pela guerrilha, inclusive a ex-candidatapresidencial Ingrid Betancourt, com quem Rojas trabalhava. As conversações para a troca de reféns por rebeldes presospelo governo estão paralisadas. Mas há pouco mais de uma semanaas Farc, maior guerrilha da Colômbia, ofereceram a libertaçãodos três reféns como gesto unilateral de "desagravo" a Chávezpor ter sido afastado da mediação. Entre os convidados internacionais estão o assessorespecial do Palácio do Planalto Marco Aurélio Garcia e oex-presidente argentino Néstor Kirchner, a quem Chávezagradeceu expressamente por sua participação. Chávez dissera na quinta-feira que supervisionarápessoalmente na tarde da sexta-feira a partida da comitiva, quefoi aprovada por Bogotá e tem representantes de Argentina,Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, França e Suíça.O protagonismo de Chávez na libertação dos reféns é uma lufadade ar fresco para o presidente esquerdista, que vem de doisepisódios negativos desde novembro: o "cala a boca" dito a elepelo rei da Espanha, Juan Carlos, durante uma cúpula emSantiago, e a derrota no referendo constitucional que, entreoutras medidas, lhe permitiria a reeleição ilimitada.(Com reportagem adicional de Deisy Buitrago em Caracas e LuisJaime Acosta em Bogotá)

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