Venezuela inicia campanha chavista contra campos de golfe

Locais de prática do "esporte burguês" podem ser tranformados em universidade e moradias populares

13 de agosto de 2009 | 15h20

Após a incursão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contra o golfe pela televisão no mês passado, já que considerou a modalidade como um "esporte burguês", as autoridades venezuelanas se mobilizaram para fechar dois dos melhores campos de golfe do país, segundo o jornal americano The New York Times.

 

"Vamos deixar isso claro. Golfe é um esporte burguês", disse Chávez em seu programa semanal de domingo, citando os carrinhos que levam os jogadores pelo campo como um exemplo da "preguiça" do esporte. Segundo o jornal, os campos de Maracaibo e da cidade costeira de Caraballeda são os principais alvos das autoridades.

 

Se os campos realmente forem fechados, o número de locais que pararam de funcionar nos últimos três anos totalizará nove estabelecimentos, segundo Julio L. Torres, diretor da Federação Venezuelana de Golfe. Um projeto na Ilha Margarita, feito pelo arquiteto americano Robert Trent Jones Jr. e desenvolvido para ser o melhor campo da América do Sul, teve de ser paralisado por conta de problemas financeiros.

 

A maioria dos campos fechados estão em áreas onde predominam as empresas petroleiras e foram inicialmente construídos para os americanos que trabalhavam nessas companhias. Os partidários de Chávez vêm os campos como locais de concentração da velha elite.

 

Mas não é a primeira vez que os chavistas atacam o esporte. Juan Barreto, um ex-prefeito de Caracas, tentou tomar o controle do maior campo da capital para construir milhares de residências populares em 2006, mas perdeu a disputa judicial.

 

Críticos da política anti-golfe de Chávez argumentam que Cuba, a maior aliada da Venezuela, vai na direção oposta. Segundo eles, investidores canadenses e europeus planejam construir até dez campos de golfe na ilha, o que faz parte de um plano do governo cubano para aumentar o faturamento com turismo.

 

"A China tem mais de 300 campos de golfe, e olhe o que está acontecendo lá", disse Torres, citando outro país comunista com o qual a Venezuela tem boas relações. "Estamos indo de 28 para 18 campos", finalizou.

 

Em Maracaibo, as autoridades querem transformar o campo em um campus da Universidade Bolivariana de Chávez. Em Caraballeda, o campo será transformado em um parque recreativo.

 

Chávez, por sua vez, diz não ter planos para proibir o golfe legalmente. "Respeito todos os esportes. Mas há esportes e há esportes. O golfe é um esporte popular? Não, não é", respondeu o venezuelano à própria pergunta.

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