Venezuela insiste que Chávez segue no comando, silêncio reina

Aliados do presidente venezuelano, Hugo Chávez, insistiram nesta segunda-feira que ele ainda estava comandando a nação, apesar de uma semana de silêncio do líder normalmente loquaz, cuja batalha contra o câncer tem ofuscado sua candidatura à reeleição.

BRIAN ELLSWORTH E DEISY BUITRAGO, REUTERS

07 Maio 2012 | 13h47

A presença na mídia normalmente onipresente de Chávez reduziu-se a algumas mensagens no Twitter. Ele não fez nenhum contato ao vivo com a mídia estatal na semana desde uma aparição pública na segunda-feira passada antes de partir para Cuba para receber tratamento.

Sua ausência atiçou as críticas de que ele não está mais comandando corretamente o país e estimulou conversas sem precedentes de um sucessor para o ex-soldado, que durante 13 anos no poder evitou cultivar um protegido que poderia substituí-lo.

"O presidente, ainda em tratamento, continua governando", disse o dirigente do partido Aristóbulo Istúriz.

"Para (a oposição), a questão da saúde do presidente não é humanitária, mas sim eleitoral porque a sua única possibilidade de vitória vem de uma doença de Chávez."

A saúde de Chávez é tratada como segredo de Estado.

Ele passou por três operações desde junho passado, incluindo uma que removeu um tumor do tamanho de uma bola de beisebol. Mas os líderes do governo se recusaram a divulgar detalhes sobre sua condição.

Ele supostamente teria concluído a última das cinco sessões de radioterapia, mas o silêncio incomum tem provocado especulação de que sua condição pode estar piorando, possivelmente se tornando fatal.

CONVERSAS SOBRE TRANSIÇÃO AUMENTAM

A recente criação de um Conselho de Estado, encarregado de assessorar o presidente sobre questões políticas, tem sido interpretada por analistas e alguns ativistas da oposição como uma agência de transição que poderia facilitar o caminho rumo a uma Venezuela pós-Chávez.

Os líderes do partido negam isso, insistindo que ele é o único candidato e assegurando os eleitores de que ele vai derrotar o candidato de oposição Henrique Capriles na eleição de 7 de outubro.

"Não é uma (comissão de) transição e não haverá transição", disse o vice-presidente, Elias Jaua, no domingo em uma cerimônia repleta de partidários de Chávez vestidos com camisas vermelhas assinadas e cantando slogans do partido.

"Haverá eleição, reeleição e um novo mandato para Hugo Chávez."

Aliados vistos como possíveis substitutos para ele se ele não puder concorrer em 7 de outubro incluem Jaua, o ministro das Relações Exteriores, Nicolas Maduro, e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

As duas filhas de Chávez, que não têm experiência política, mas frequentemente aparecem com ele em público, são vistas como potenciais substitutas que poderiam ter o respeito dos partidários e aliados.

Em uma tentativa de mostrar que o governo está normal, o Ministério das Relações Exteriores enviou um comunicado no domingo transmitindo os parabéns de Chávez a François Hollande por sua vitória nas eleições presidenciais da França.

Mas Chávez, que passou a maior parte das últimas seis semanas em Havana, só foi visto uma vez ao vivo em público desde meados de abril.

Ele terminou a curta declaração na segunda-feira passada engasgando em suas palavras e com lágrimas nos olhos, em nítido contraste com o seu discurso triunfante ao Congresso em janeiro, que se estendeu por nove horas.

Uma fonte próxima ao governo disse que a saúde de Chávez deteriorou-se consideravelmente com a radioterapia. Ele tem tido dor intensa e não consegue andar, o que exige que ele use uma cadeira de rodas, disse a fonte à Reuters.

"Há grande ansiedade sobre o que está por vir", afirmou a fonte.

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