Venezuela investigará acusação de câncer por envenenamento de Chávez

A Venezuela vai instalar um inquérito formal sobre as suspeitas de que o câncer do falecido presidente Hugo Chávez foi resultado de envenenamento por seus inimigos no exterior, anunciou o governo.

ANDREW CAWTHORNE, Reuters

12 de março de 2013 | 13h24

A acusação foi ridicularizada por críticos do governo, que veem como uma típica teoria da conspiração ao estilo de Chávez destinada a alimentar temores de uma ameaça "imperialista" ao sistema socialista da Venezuela e distrair as pessoas dos problemas diários.

Ainda assim, o presidente em exercício Nicolás Maduro prometeu pressionar por uma investigação séria sobre a alegação, levantada pela primeira vez pelo próprio Chávez depois que ele foi diagnosticado com a doença em 2011.

"Vamos buscar a verdade", disse Maduro à rede de TV regional Telesur na noite de segunda-feira. "Temos a intuição de que o nosso comandante Chávez foi envenenado por forças obscuras que o queriam fora do caminho."

Cientistas estrangeiros serão convidados a participar de uma comissão do governo, afirmou o líder em exercício da nação exportadora de petróleo.

Maduro, 50 anos, é o sucessor escolhido por Chávez e está concorrendo como o candidato do governo na eleição presidencial em 14 de abril, convocada após a morte de Chávez na semana passada.

O candidato da situação está tentando manter a atenção dos eleitores firmemente focada em Chávez para se beneficiar da onda de tristeza entre seus milhões de partidários. A oposição está centrando sua campanha em retratar Maduro, um ex-motorista de ônibus, como um incompetente que, segundo eles, está morbidamente explorando a morte de Chávez.

LUTO

Concorrendo pela coalizão da oposição Unidade Democrática está o governador favorável ao mercado, Henrique Capriles, 40 anos, que perdeu para Chávez a eleição presidencial do ano passado.

Terça-feira foi o último dia de luto oficial de Chávez, embora ainda devam acontecer cerimônias. Seu corpo embalsamado será levado em procissão para um museu militar na sexta-feira.

Milhões de pessoas passaram diante do caixão de Chávez para prestar homenagem a um homem que era adorado por muitos dos pobres por suas raízes humildes e políticas de assistência, mas foi odiado por muitas pessoas também por seu estilo autoritário e intimidação de adversários.

Embora Maduro tenha falado sobre o combate à criminalidade e extensão dos programas de desenvolvimento nas favelas, ele tem usado suas frequentes aparições na TV estatal principalmente para falar sobre Chávez.

O presidente de 58 anos foi diagnosticado com câncer em sua região pélvica em junho de 2011, e passou por quatro cirurgias antes de morrer do que fontes disseram ter sido metástase nos pulmões.

Maduro disse que era muito cedo acusar alguém pelo câncer de Chávez, mas observou que os Estados Unidos tinham laboratórios com experiência em produzir doenças.

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