Jorge Silva/Reuters
Jorge Silva/Reuters

Venezuela libera presidente da Globovisión sob medida cautelar

Zuleaga, que foi preso por insultar o governo, não pode sair do país

25 de março de 2010 | 21h32

estadão.com.br

 

CARACAS- O presidente da Globovisión, Guillermo Zuloaga, preso nesta quinta-feira, 25, acusado de ter insultado o governo Chávez durante um Congresso da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) no final de semana, foi liberado com uma medida cautelar que o impede de sair do país.

 

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"Foi um dia surpreendente", disse Zuloaga à imprensa, ao fim da audiência de mais de duas horas.

 

Mais cedo, a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, havia confirmado que o objetivo da emissão da ordem de detenção era não permitir uma possível fuga de Zuloaga para escapar dos processos na Justiça.

 

Logo após a detenção, ocorrida num aeroporto no noroeste da Venezuela, várias entidades saíram em defesa do presidente do canal, que se preparava para uma viagem de férias nas Antilhas Holandesas.

 

Na reunião, Zuloaga disse que Chávez 'mandou chumbo' contra os venezuelanos durante o golpe de Estado orquestrado contra o presidente em 2002.

 

Familiares do executivo alegam que ele sofre perseguição do governo do presidente Hugo Chávez, por causa da linha editorial oposicionista do canal.

 

A Organização dos Estados Americanos (OEA), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a SIP, a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR ), a Human Rights Watch (HRW) e o Governo do Canadá estão entrem os que criticaram emostraram preocupação com o caso.

 

O presidente da SIP, Alejandro Aguirre, lamentou o ato do governo venezuelano e o considerou "não só uma agressão contra a liberdade de opinião e contra Zuloaga, mas também contra a SIP e contra o direito do povo venezuelano a receber informação e a se expressar".

 

Já a dirigente do partido Um Novo Tempo, Delsa Solórzano, rechaçou a prisão de Zuloaga, afirmando que ela representa "um outro indicador de como as liberdades são violadas na Venezuela, sobretudo a liberdade de expressão". Segundo a oposicionista, as acusações feitas contra Zuloaga ocorreram em Aruba, e não na Venezuela, e os juízes venezuelanos "só têm competência para atuar em ações ocorridas no território nacional".

 

Denúncias

 

O Ministério Público venezuelano começou a investigar Zuluaga e o ex-governador de Zulia Oswaldo Paz a pedido do deputado Manuel Villalba, do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

 

Na quarta-feira, Villalba pediu que o MP investigasse Zuloaga por conta de declarações dadas durante assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) no final de semana.

 

No último dia 8, Paz, ex-governador de Zulia e deputado da Assembleia Nacional, acusou altos funcionários do governo de vínculos com o narcotráfico.

 

No dia seguinte, Villalba apresentou uma denúncia ao MP, na qual acusava o ex-governador de atentado contra o caráter republicano do governo, instigação pública à investigação, intimidação e calúnia. Paz foi preso no dia 22 e no dia 24 um tribunal ratificou a prisão.

 

Críticas a Chávez

 

Mais cedo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) criticou o governo venezuelano pela prisão do ex-governador opositor Oswaldo Álvarez Paz e ações da Justiça contra Zuluaga e a juíza María Lourdes Afiuni Mora.

 

Segundo o órgão, vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), a Venezuela tem criminalizado defensores dos direitos humanos, cerceado o direito de manifestação e perseguido criminalmente opositores do governo.

 

Com informações da Associated Press e Efe

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