Venezuela: líder oposicionista pede que bancos internacionais não ajudem a financiar governo

Em meio a protestos contra Maduro que abalam a Venezuela, causando 20 mortes e dezenas de prisões nas últimas três semanas, a oposição está tentando reunir a opinião pública internacional contra o governo

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2017 | 12h29

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e líder oposicionista, Julio Borges, enviou mais de uma dúzia de cartas aos principais bancos globais alertando-os sobre o risco à sua reputação se concederem recursos que o presidente do país, Nicolas Maduro, busca a fim de impulsionar uma economia que sofre escassez generalizada de alimentos e outros bens e evitar a inadimplência da dívida externa.

Em meio a protestos contra Maduro que abalam a Venezuela, causando 20 mortes e dezenas de prisões nas últimas três semanas, a oposição está tentando reunir a opinião pública internacional contra o governo. "O governo nacional, por meio do Banco Central, vai tentar trocar ouro mantido como reserva por dólares para permanecer no poder inconstitucionalmente", disse uma carta enviada quinta-feira a John Cryan, CEO do Deutsche Bank. "Tenho a obrigação de adverti-lo de que, ao apoiar tal troca de ouro, você estaria tomando ações para favorecer um governo que foi reconhecido como ditatorial pela comunidade internacional".

As cartas tem a intenção de reforçar a legislação recentemente aprovada pelo Congresso, que anula as emissões de dívida pública não aprovadas explicitamente pelos legisladores, disse Borges em uma entrevista nesta sexta-feira.

Dona de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela foi considerada um país de crédito confiável, conseguindo manter seu status como um favorito de Wall Street mesmo quando o falecido presidente Hugo Chávez fez uma nacionalização aproveitando fábricas e campos petrolíferos de grandes empresas estrangeiras como a Exxon e Clorox. Esta semana, a General Motors tornou-se a última grande marca norte-americana a sair da Venezuela depois que sua planta de montagem, contas bancárias e outros ativos foram apreendidos como resultado de uma decisão judicial em favor de uma antiga concessionária da GM.

Contudo, como os preços do petróleo caíram desde que Maduro assumiu o poder em 2013, as reservas em moeda estrangeira do país caíram para o menor nível em 15 anos, US$ 10 bilhões. Cerca de 75% dessas reservas são mantidas em barras de ouro, como resultado do fetiche de Chávez por ouro em contrapartida ao dólar "imperialista". O país tem pagamentos de dívidas ainda por vencer este ano de cerca de US$ 6 bilhões.

Desde que os protestos começaram, Maduro acusa Borges de ser o "chefe" de uma tentativa de golpe. E Borges é quase certamente o alvo principal de um "Manual para o Combatente Revolucionário", que altos funcionários do governo estão promovendo na TV estatal como uma espécie de lista de inimigos, contendo os endereços e detalhes pessoais dos líderes da oposição. "Não reclame depois, quando a justiça for feita, Julio Borges. Eu estou lhe dizendo antes", disse Maduro, batendo o punho, nesta semana em um comício de apoiadores do governo.

Borges disse que, longe de assustá-lo, tais ataques e a dependência do governo de força para reprimir os protestos é um sinal de sua crescente fraqueza. "O voto é como criptonita para o governo", disse ele. "Mas é nisso que temos de continuar insistindo porque é a única solução real para trazer mudanças para o país". Fonte: Associated Press.

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