Venezuela nega ter fornecido armas às Farc da Colômbia

Governo colombiano diz ter alertado vizinhos sobre armas ilegais fabricadas na Suécia desde junho

Efe,

29 de julho de 2009 | 16h18

O governo da Venezuela voltou a negar nesta quarta-feira, 29, que forneça armamento às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas afirmou que atuará "sem contemplações" se descobrir que "alguém" dentro ou fora das Forças Armadas venezuelanas fez isso. O governo da Colômbia, por sua vez, diz que advertiu a Venezuela desde junho sobre o comércio irregular de lança-foguetes.

 

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"Se descobrirmos que alguém está traficando de alguma maneira ou tem relação de alguma maneira (com as Farc), nós atuaremos", disse o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizales. "Não temos compromissos nem contemplação com alguém que infrinja a lei", acrescentou.

 

Em entrevista coletiva, o vice-presidente destacou que o conflito interno colombiano transbordou para a Venezuela com ataques de guerrilheiros a postos militares nacionais, que deixaram não somente soldados mortos, mas o "extravio" das Forças Armadas do país.

 

As afirmações foram feitas pelo vice ao se referir à nova crise entre Venezuela e Colômbia por causa das acusações colombianas sobre o suposto desvio de armas venezuelanas para as Farc, que derivou no anúncio nesta terça à noite de Caracas de "congelar" as relações diplomáticas e comerciais bilaterais.

 

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou o retorno do embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez, e a redução das importações em resposta às denúncias colombianas, avalizadas pela Suécia, de que lança-foguetes suecos comprados pela Venezuela no final de 1980 foram apreendidos recentemente com a guerrilha.

 

Para o vice, "o certo deveria ter sido" que o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, "informasse" Caracas "se fosse encontrado algum material desse tipo" para que se ativassem os mecanismos correspondentes.

 

Advertência

 

O governo da Colômbia, por sua vez, afirmou que tinha advertido à Venezuela desde 2 de junho sobre a posse de lança-foguetes suecos, adquiridos por Caracas, pelas Farc.

 

Cesar Mauricio Velázquez, secretário de imprensa de Uribe, mostrou uma declaração oficial com a qual seu governo pretende esclarecer a situação após os conflitos com a Venezuela por causa da denúncia.

 

Velázquez enfatizou que, por enquanto, o único comentário que a Colômbia fará é esta declaração de dez pontos, na qual reitera que, em outubro de 2008, a força pública da Colômbia expropriou três lança-foguetes em um acampamento das Farc.

 

A declaração ressalta que, "no dia 2 de junho, o chanceler da Colômbia, Jaime Bermúdez, entregou ao chanceler da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma reunião reservada em São Pedro de Sula (Honduras) um documento no qual se evidência a posse desses lança-foguetes por narcoterroristas das Farc". Este armamento, acrescenta o texto, faz parte do lote vendido da Suécia para a Venezuela em 1988.

 

"Na mesma reunião, o chanceler Bermúdez entregou também um documentário no qual dois membro das Farc mencionam a colaboração por parte de três altos funcionários do Governo venezuelano na entrega de lança-foguetes de características similares aos que posteriormente foram apreendidos pela polícia colombiana", manifestou Velázquez.

 

O governo colombiano assegurou que entregou esta informação à Venezuela "de maneira discreta com o propósito de obter um esclarecimento" por parte de Caracas, mas que, até o momento, o governo de Hugo Chávez "não deu resposta alguma, no entanto, mantemos nossa permanente e reiterada disposição de diálogo".

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