Arquivo/Reuters
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Venezuela pede à Interpol captura de dono da Globovisión

Guillermo Zuloaga é acusado de armazenar carros clandestinamente em uma concessionária de veículos pertencente à sua família

AE, Agência Estado

18 de junho de 2010 | 20h49

O governo venezuelano pediu nesta sexta-feira,18, à Interpol a captura de Guillermo Zuloaga, proprietário da Globovisión, canal de televisão de oposição ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Tarek el Assaimi, ministro de Interior da Venezuela, disse na televisão estatal que o governo pediu à Interpol que faça circular uma ordem internacional de captura e extradição contra Zuloaga.    

 

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Zuloaga é acusado de armazenar carros clandestinamente em uma concessionária de veículos pertencente à sua família. O dono da emissora diz que as acusações contra ele teriam "propósito único" de fechamento da Globovisión. A Interpol já emitiu uma ordem internacional de captura contra seu filho, Guillermo Zuloaga Isso, suspeito de fraudes.

 

Zuloaga afirmou no início da semana, sem precisar sua localização, que não retornaria ao país porque teme ser preso sem um devido processo.

 

Em um ato na Ilha Margarita, El Aissami sugeriu que o empresário está nos Estados Unidos, assim como o banqueiro Nelson Mezerhane, presidente do Banco Federal, instituição que sofreu intervenção do governo no começo da semana.

 

Mezerhane, acionista minoritário da Globovisión, denunciou na última segunda que a intervenção ao Federal foi "um programa premeditado, manejado para ir asfixiando os empresários que fomos cofundadores da Globovisión".

 

O presidente Hugo Chávez rechaçou na quarta as acusações de Zuloaga e Mezerhane, e advertiu que está disposto a assumir as ações do banqueiro na emissora.

 

Zuloaga negou no começo da semana ser culpado dos crimes pelos quais é acusado e disse que o processo contra ele é "uma perseguição do governo de Hugo Chávez" por causa da postura crítica de seu canal.

 

A procuradora geral venezuelana, Luisa Ortega Díaz, descartou na semana passada que existam motivações políticas no caso do empresário, e disse que sua ordem de prisão está relacionada com uma investigação pendente pelo suposto de crime de "armazenamento irregular" de 24 veículos.

 

O processo, que estava paralisado há seis meses, foi reativado uma semana depois de Chávez ter se queixado em um discurso televisionado da suposta impunidade de Zuloaga.

 

O dono da Globovisión estava sob liberdade provisória, à espera de julgamento, por ter emitido "uma informação falsa", segundo a Procuradoria, e ofender o presidente em uma assembleia de uma organização de imprensa em Aruba. Zuloaga também tem um processo pendente por colecionar animais dissecados.

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