Venezuela prepara operação de resgate de reféns das Farc

Segundo Hugo Chávez, libertação pode acontecer 'nas próximas horas', mas depende de condições climáticas

Reuters,

28 de dezembro de 2007 | 17h40

A Venezuela vivia uma grande expectativa na tarde desta sexta-feira, 28, à espera da autorização para o início da operação de resgate de três reféns que serão libertados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A guerrilha mantém seqüestrados outras cerca de 42 pessoas mantidas como moeda de troca para a libertação de militantes presos pelo governo colombiano.   Veja também: Exército brasileiro entra em regime de alerta Libertação começa nesta sexta-feira Garcia: libertação pode pacificar a Colômbia Chávez 'elogia' portunhol de Lula Cronologia: do seqüestro à liberdade Entrega de reféns deve ocorrer em 72 horas   A operação, coordenada por Caracas com a participação de monitores internacionais, é uma espécie de revanche para o presidente Hugo Chávez, incomodado com o fato de ter sido recentemente afastado pelo governo colombiano da tentativa de mediar a libertação de um grupo maior de reféns.   Chávez disse em discurso nesta sexta-feira, 28, que a entrega dos reféns dependerá das condições climáticas na região, mas pode acontecer "nas próximas horas". Já a Cruz Vermelha Internacional, também envolvida na operação, disse na Colômbia que a libertação não deve ocorrer na sexta-feira, pois por razões de segurança, a entidade não realiza operações no período noturno.   Os aviões e helicópteros decolarão do sudoeste da Venezuela em direção a Villavicencio, cerca de 90 quilômetros a sudeste de Bogotá. De lá, o grupo partirá para um local não revelado, onde devem ser entregues a ex-deputada Consuelo González, de 57 anos, a advogada Clara Rojas, de 43, e o filho dela, Emmanuel, de 3 anos.   A libertação desses três reféns desperta esperanças de futuras negociações para a devolução de centenas de pessoas mantidas em cativeiro pela guerrilha, inclusive a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, com quem Clara Rojas trabalhava.   As conversações para a troca de reféns por rebeldes presos pelo governo estão paralisadas. Mas há pouco mais de uma semana as Farc, maior guerrilha da Colômbia, ofereceram a libertação dos três reféns como gesto unilateral de "desagravo" a Chávez por ter sido afastado da mediação.   Chávez dissera na quinta-feira que supervisionará pessoalmente na tarde da sexta-feira a partida da comitiva, que foi aprovada por Bogotá e tem representantes de Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, França e Suíça.   O protagonismo de Chávez na libertação dos reféns é uma lufada de ar fresco para o presidente esquerdista, que vem de dois episódios negativos desde novembro: o "cala a boca" dito a ele pelo rei da Espanha, Juan Carlos, durante uma cúpula em Santiago, e a derrota no referendo constitucional que, entre outras medidas, lhe permitiria a reeleição ilimitada.   Entre os convidados internacionais estão o assessor especial do Palácio do Planalto Marco Aurélio Garcia e o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, a quem Chávez agradeceu expressamente por sua participação.

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