Venezuela proíbe jornais de publicarem fotos de violência

Um tribunal venezuelano ordenou que dois jornais da oposição não publiquem fotos de fatos violentos, em uma medida supostamente voltada para a proteção de crianças, mas que críticos denunciam como censura.

REUTERS

18 de agosto de 2010 | 14h56

A decisão foi tomada depois de um escândalo sobre a publicação de uma foto de corpos amontoados em um necrotério de Caracas, que segundo o governo era parte de uma campanha contra o Partido Socialista do presidente Hugo Chávez antes das eleições legislativas, marcadas para o dia 26 de setembro.

A foto foi publicada na capa do jornal El Nacional na sexta-feira, abaixo de uma manchete sobre o aumento da insegurança no país, e republicada depois em outro jornal, o Tal Cual, na segunda-feira.

O necrotério municipal recebe muitas pessoas mortas pela violência ou em acidentes de trânsito. O jornal usou a imagem para mostrar que a instituição estava sobrecarregada pelo número de corpos.

Na quarta-feira, o El Nacional publicou uma capa sem fotos, com a palavra "Censurado". A mídia venezuelana afirmou que a ordem havia sido estendida para as capas de outros jornais, mas as autoridades não comentaram de imediato o fato.

"(A mídia impressa) deveria se abster de publicar imagens violentas, sangrentas ou grotescas, independentemente de se tratar de crime ou não, porque de uma forma ou outra elas ameaçam o estado moral e psicológico das crianças", disse o 12o Tribunal de Caracas durante o julgamento na terça-feira.

O diretor do El Nacional, Miguel Henrique Otero, defendeu a decisão do jornal de publicar a imagem, que, segundo ele, foi tirada por um de seus fotógrafos em dezembro passado.

"O governo assumiu uma posição muito agressiva porque a foto tinha um impacto político muito grande, dado o crescimento desproporcional de crimes na Venezuela", disse ele à CNN.

A Venezuela tem um dos índices mais altos no mundo para crimes violentos, com mais de 16 mil assassinatos no ano passado, segundo cálculos de grupos não-governamentais. Por vários anos o governo não publicou o número oficial de mortos.

(Reportagem da Redação de Caracas)

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