Venezuela quer retirar helicópteros que serviriam para resgate

Governo venezuelano deslocou entre sexta e segunda à cidade colombiana de Villavicencio quatro aeronaves

Efe,

03 de janeiro de 2008 | 01h00

O governo venezuelano tem intenção de retirar da Colômbia os helicópteros disponibilizados para o resgate de três reféns que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se comprometeram a libertar, assegurou nesta quarta-feira, 2, o alto comissário colombiano para a Paz, Luis Carlos Restrepo. Em entrevista por telefone a um canal privado da TV venezuelana, Restrepo reiterou que as Farc "mentiram" ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com relação à libertação dos três reféns. O alto comissário para a Paz declarou que "nesses últimos dias" teve uma "conversa" com o ex-ministro do Interior e coordenador venezuelano da "Operação Emmanuel" Ramón Rodríguez Chacín. Na ocasião, Chacín o teria informado "sobre o interesse de Caracas de deslocar os helicópteros novamente para território venezuelano". "Disse que seguiam (na Venezuela) dispostos a antecipar essa missão (de resgate dos reféns) quando recebessem a informação por parte das Farc, e nós reiteramos que daríamos todas as garantias", afirmou Restrepo, que não deu mais detalhes sobre o assunto. O governo venezuelano deslocou entre as últimas sexta e segunda-feira à cidade colombiana de Villavicencio quatro helicópteros, dois militares e dois civis, para utilizá-los no resgate da ex-candidata à Vice-Presidência da Colômbia Clara Rojas, de seu filho, Emmanuel, e da ex-parlamentar Consuelo González de Perdomo. As Farc anunciaram em 18 de dezembro último que libertariam as duas mulheres e a criança, nascida em cativeiro, em resposta a Chávez pela decisão de Bogotá de afastá-lo em 21 de novembro de seu papel de mediador para a troca humanitária de reféns na Colômbia. Após quatro dias de expectativa, a operação ficou em ponto morto nesta segunda-feira, depois de Chávez ter lido uma carta que disse ter recebido das Farc na qual a guerrilha dizia não poder entregar os reféns devido a intensas operações militares na região para onde supostamente se deslocavam. "Não, isso não é certo, essa é uma desculpa das Farc (...) para tratar de justificar seu descumprimento", declarou Restrepo, ao reiterar que seu Governo não realizou em "três semanas" operações militares na "zona selvática do departamento (estado) de Guaviare e seus arredores", onde estão os três seqüestrados, segundo relatórios da "inteligência colombiana". Menino Emmanuel Também na segunda-feira passada o presidente colombiano, Álvaro Uribe, revelou publicamente que as Farc não teriam concretizado a libertação porque não teriam em seu poder o menino Emmanuel, o qual, segundo uma "hipótese" de seu governo, poderia estar em Bogotá, com outro nome e sob cuidados de um órgão oficial de assistência. Ao ser questionado sobre qual foi a razão da revelação dessa hipótese, Restrepo explicou que em "31 de dezembro" seu governo "teve certeza sobre a possibilidade de a criança que está sob proteção (do Estado colombiano) ser Emmanuel". "As primeiras informações foram recebidas em 28 de dezembro, foram feitas investigações em 29 e 30, mas só em 31, quando soubemos que havia um homem requerendo com urgência (à entidade oficial de assistência) que entregassem a criança, pudemos identificar com clareza que era o menino" Emmanuel, disse Restrepo.

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