Venezuela reforça presença militar na fronteira com a Colômbia

Número de efetivos em dois estados fronteiriços foi redobrado após rompimento de relações

Reuters,

26 de julho de 2010 | 20h15

SAN CRISTOBAL, VENEZUELA- A Venezuela reforçou a presença de soldados em dois estados que fazem fronteira com a Colômbia, disse nesta segunda-feira, 26, um general venezuelano que atendeu a ordem de alerta dada pelo presidente Hugo Chávez após romper relações diplomáticas com o país vizinho.

 

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Este é o primeiro movimento de tropas informado pelas forças armadas venezuelanas desde que Chávez anunciou o rompimento de laços na última quinta, em rechaço às denúncias de Bogotá sobre a presença de guerrilheiros em território venezuelano.

 

A Guarda Nacional - um dos quatro componentes ds forças armadas venezuelanas - redobrou a vigilância nos departamentos (estados) ocidentais de Táchira e Apure. No estado de Zulia, que também faz fronteira com a Colômbia, se manteve sem mudanças no número habitual de tropas militares.

 

"Temos um reforço de 980 a 1.000 efetivos militares que se somam à vigilância da fronteira, mas não há operações extraordinárias, nos mantemos em estado de alerta", disse o chefe do Comando Regional 1 da Guarda Nacional, o general Franklin Marquez, que responde pelos estados de Táchira e Apure, onde o número habitual de soldados é de cerca de 500.

 

O militar acrescentou que exercícios militares foram realizados no fim de semana em diferentes pontos da fronteira, mas não deu mais detalhes.

 

Chávez denunciou no fim de semana que Washington prepara operações militares para derrubá-lo com o apoio da Colômbia e garantiu que as denúncias de que protege rebeldes são uma desculpa para invadir seu país.

 

As forças armadas venezuelanas advertiram a Colômbia nesta sexta que estão preparadas para repelir um eventual ataque; diversos analistas, no entanto, afirmaram que um enfrentamento bélico é improvável.

 

Chávez, um ferrenho crítico dos Estados Unidos, rompeu relações com a Colômbia depois que o governo de Álvaro Uribe apresentou na Organização dos Estados Americanos (OEA) supostas provas de que a Venezuela protege 1,5 mil rebeldes das Farc e do ELN.

 

A Venezuela já tinha congelado o comércio bilateral com a Colômbia devido a um acordo militar firmado entre Washington e Bogotá que concede aos EUA autorização para usar bases militares colombianas, o que Chávez considera uma ameaça para seu país.

 

Relações Exteriores

 

A Venezuela iniciará nesta semana uma campanha por vários países da América Latina para explicar os motivos de sua decisão de romper com a Colômbia.

 

Líderes da América do Sul, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bloco da União das Nações sul-americanas (Unasul) disseram estar dispostos a mediar o conflito para que a crise diplomática chegue a uma solução negociada.

 

O Ministério de Relações Exteriores venezuelano informou que o chanceler Nicolás Maduro se reunirá nesta noite com Lula e posteriormente viajará para o Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile e Bolívia.

 

Por sua vez, o embaixador venezuelano na ONU, Jorge Valero, se reuniu com o secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, a quem entregou uma carta na qual detalha a decisão de Chávez.

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