Venezuela rejeita reforma constitucional de Chávez

'Não' vence com 50,7% dos votos; presidente reconhece derrota em rede nacional

Lourival Sant´Anna, enviado especial de O Estado de S. Paulo, e agências internacionais,

03 de dezembro de 2007 | 03h16

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela anunciou durante a madrugada desta segunda-feira, 3, a vitória do "não" no referendo sobre a reforma constitucional realizado na Venezuela neste domingo. O presidente Hugo Chávez em pronunciamento em rede nacional admitiu a derrota e pediu que o resultado seja respeitado. A reforma permitiria que ele disputasse o cargo um número indefinido de vezes.   Veja também: Chávez reconhece derrota e parabeniza oposição Resultado é 'vitória da democracia', diz oposição Chávez diz que aceita qualquer resultado Venezuela vota em clima tranqüilo Tensão na América do Sul  Conheça pontos centrais da reforma   Acompanhe a trajetória de Hugo Chávez       Em uma votação apertada, o "não" recebeu 50,7% dos votos e o "sim", 49,29%, no primeiro bloco de artigos submetidos à consulta. Além disso, 51,05% rejeitaram o segundo bloco de artigos, enquanto 48,94% o aprovaram. A abstenção no referendo foi de 44,9%.   O CNE divulgou o primeiro resultado mais de oito horas após o fim das votações, com quase 90% dos votos apurados. A presidente do Conselho afirmou que a vitória do "não" é irreversível.   Chávez, atribuiu à abstenção a derrota sofrida no referendo. Durante discurso na sede do governo, o governante comparou o pleito deste domingo com a que ocorreu há um ano, nas eleições presidenciais, nas quais derrotou com folgas o candidato opositor Manuel Rosales.   O governante manifestou que a derrota pode ter acontecido porque não soube explicar bem o alcance da reforma ou porque outros aspectos relacionados com a organização e mobilização de seus seguidores falharam. O líder venezuelano se mostrou convencido de que esses três milhões "seguem apoiando a revolução", mas não foram votar, e assinalou que a responsabilidade por essa abstenção deve ser buscada em suas próprias fileiras.   Boca-de-urna   As pesquisas de boca-de-urna indicavam a vitória do "sim" no referendo sobre a reforma constitucional realizado na Venezuela. Segundo a PLM Consultores, a vitória seria de 54% a 46% dos votos e o Instituto Venezuelano de Análisis e Dados, 53% a 47%, informou a agência Efe. A votação transcorreu em clima de tranqüilidade. A reforma constitucional foi proposta pelo presidente e pela Assembléia Nacional por ele dominada.   As urnas se abriram às 6 horas (8 horas em Brasília) e estava previsto que fechassem às 16 horas, mas o período se estendeu até o fim da tarde, enquanto havia eleitores nas filas. Muitos se queixaram de ter de esperar horas para votar. O gargalo eram as máquinas de reconhecimento de impressão digital, instaladas na entrada das seções eleitorais.   A votação   Com a proibição de fazer campanha, líderes do governo e da oposição passaram o dia dando declarações com mensagens subliminares em favor ou contra a reforma constitucional. "Hoje na Venezuela decidimos se vamos no caminho do socialismo ou da democracia", definiu Leopoldo López, prefeito (equivalente a administrador regional) de Chacao, bairro de Caracas, e integrante do partido de oposição Um Novo Tempo.   "Este referendo é mais importante do que uma eleição presidencial", enfatizou o governador do Estado de Zulia, Manuel Rosales, segundo colocado na disputa pela presidência em dezembro do ano passado. "A Venezuela está no meio de uma grande encruzilhada. Ou tomamos o caminho do conflito, da violência, ou da paz e do diálogo", disse Rosales.   "Aos jovens que querem viver em liberdade, que querem ter trabalho e educação, votem", pediu Yon Goicoechea, o principal líder estudantil do país. "Hoje é o dia em que todos temos que mostrar a cara", prosseguiu Goicoechea, um estudante de direito de 23 anos alçado à condição de um dos principais líderes da oposição, no vácuo deixado pelos partidos tradicionais, desmoralizados por escândalos de corrupção antes da eleição de Chávez, em 1998, e pelas sucessivas derrotas eleitorais, desde então.   "O dia de hoje não pode acabar sem que votemos pelo dia de amanhã", sentenciou Goicoechea, dirigindo-se "ao povo de (Simón) Bolívar, amarelo, azul e vermelho (as cores da bandeira), da tolerância, do respeito aos que pensam diferente, o povo da democracia". A seqüência de referências busca recuperar de Chávez a associação ao "libertador" e repudiar sua monocromática adesão ao vermelho e seu hábito de desqualificar os opositores como traidores da pátria.

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