Venezuela retira embaixador na Colômbia após crise por reféns

Caracas deve analisar relações bilaterais após a suspensão de diálogo de Chávez com as Farc

Agências internacionais

27 de novembro de 2007 | 13h38

O governo da Venezuela disse nesta terça-feira, 27, que convocou seu embaixador em Bogotá para avaliar as relações bilaterais, após o impasse ocorrido entre ambos governos. Veja também: Chávez diz que oposição contestará vitória em referendo Venezuela resiste a 'ataques de dentro e de fora'Especial: Tensão na América do Sul    A crise entre os dois países ocorreu depois do anúncio feito pelo governo colombiano do fim da mediação do presidente Hugo Chávez para troca de reféns das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) por presos do grupo guerrilheiro na Colômbia. O governo "em razão dos recentes acontecimentos e com a finalidade de proceder a uma avaliação exaustiva das relações bilaterais, decidiu chamar o seu embaixador em Bogotá, o senhor Pável Rondón, para consultas", disse a chancelaria venezuelana em comunicado.   No fim de semana, Uribe havia acusado Chávez de "legitimar o terrorismo", de "incendiar a região" e de pretender estabelecer um governo de transição na Colômbia. Antes, o presidente venezuelano chamou Uribe de "mentiroso" e o acusou de "traição".   Segundo a BBC, a briga entre Caracas e Bogotá tem sido considerada a pior dos últimos anos e coloca em risco uma balança comercial estimada em pelo menos US$ 4,1 bilhões.   Suspensão das negociações   A polêmica teve início na semana passada, quando o presidente colombiano, por meio de um comunicado oficial, deu por encerrada a mediação de Chávez na busca de um acordo humanitário com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).   Uribe disse que tomou a decisão porque Chávez teria falado por telefone com o comandante do Exército colombiano, Mario Montoya, desrespeitando assim um acordo entre os dois, segundo o qual o líder venezuelano não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano.   Chávez atribuiu o seu afastamento das negociações com as Farc à pressão norte-americana e da elite colombiana sobre o presidente Uribe. Desde agosto, Chávez vinha atuando como mediador entre o governo da Colômbia e as Farc na busca de um acordo humanitário que permitisse que 45 reféns fossem soltos em troca da libertação de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro que estão presos. Entre os reféns em poder das Farc está a senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt.   Relações 'congeladas'   Na semana passada, Chávez se limitou a dizer que estava "frustrado" com a decisão de Uribe. No entanto, após um novo comunicado do governo colombiano, o presidente venezuelano decidiu colocar a relação entre as duas nações no "congelador".   Em entrevista concedida no domingo à noite, Chávez disse não pretender romper relações com a Colômbia, mas disse que uma reconciliação com seu colega era "praticamente impossível". "Seria preciso buscar uma via. Não de reconciliação, porque já é impossível", disse. "Uribe reproduz a voz do império norte-americano, da direita latino-americana."   O Departamento de Estado americano se pronunciou pela primeira vez na segunda-feira sobre a crise diplomática e disse que o fim da mediação de Chávez é uma decisão soberana do governo colombiano. "O presidente Uribe é um amigo dos EUA e confiamos que ele atua pensando no bem estar de seu país e em conseqüência com os princípios estabelecidos desde o começo", disse o porta-voz do departamento de Estado, Sean McCormack.

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