Venezuela sugere discutir todos os acordos militares da região

Embaixador venezuelano na Colômbia pretende promover o debate na reunião de ministros da Unasul

ANSA,

13 de setembro de 2009 | 17h25

O embaixador da Venezuela na Colômbia, Gustavo Márquez, sugeriu que todos os países apresentem seus respectivos acordos militares durante a reunião de ministros da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) que ocorrerá em Quito nesta terça-feira, 15.

 

Em entrevista ao jornal El Tiempo, de Bogotá, o diplomata afirmou que a delegação venezuelana irá ao Equador disposta a promover a recuperação da confiança mútua, e que para isso será importante que os países da região sejam transparentes com os vizinhos.

 

"Que todos coloquem as cartas sobre a mesa. Você tem um acordo com a Rússia? Então o coloque sobre a mesa. Você, com os Estados Unidos? Ponha-o sobre a mesa. É uma mostra de confiança", disse ele.

 

A cúpula de terça-feira dará continuidade às discussões sobre o novo acordo militar que a Colômbia deve assinar com os Estados Unidos para ceder sete bases em seu território. O tema foi tratado em um encontro de chefes de Estado da Unasul realizado no dia 28 de agosto na Argentina.

 

Naquela ocasião, porém, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, negou-se a apresentar detalhes do convênio, sob a alegação de que ele já havia sido fechado junto a Washington, faltando apenas sua assinatura.

 

Referindo-se ao acordo, o embaixador venezuelano reiterou que ele "pode significar uma ameaça real para a soberania" de seu país, posição já manifestada em várias ocasiões pelo presidente Hugo Chávez.

 

"Aqui está sendo montado um teatro de guerra. Nesta semana, os porta-vozes do Pentágono diziam que a Venezuela tinha fábricas de armamento em parceria com o Irã. Este formato não se parece ao que foi aplicado na guerra do Iraque para justificar a invasão?", indagou.

 

"O objetivo dos Estados Unidos é promover o enfrentamento entre Colômbia e Venezuela, como fez com o Panamá. Eles estão fazendo isso para que rompamos nossas relações, para desestabilizar", argumentou.

 

Perguntado se achava que os vínculos diplomáticos entre Caracas e Bogotá já estão rompidos, Márquez respondeu negativamente. No fim de julho, Chávez ordenou o congelamento das relações com a Colômbia, que o acusou de repassar armamentos a guerrilheiros.

 

"Não, eu não acho. Às vezes há um baixo perfil nas relações, que não implica necessariamente em uma ruptura. Há um fantasma, claro, mas esperamos que não cheguemos a este ponto. Dependerá da conjuntura, das circunstâncias", disse.

 

"As perspectivas não são boas, mas o mais importante é que temos de erguer a bandeira da paz. A paz deve ser preservada, pois o pior que poderia ocorrer é uma confrontação", prosseguiu.

 

Sobre a decisão de congelar relações, o diplomata negou que se trate de uma "retaliação" a Bogotá. "Trata-se simplesmente de uma medida preventiva frente a uma ação que consideramos inamistosa e agressiva", explicou.

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