Venezuela suspende racionamento de eletricidade em Mérida

Área foi palco recente de protestos contra medidas de Hugo Chávez e morte de dois manifestantes estudantis

Agência Estado,

28 de janeiro de 2010 | 11h58

A Venezuela, que tem racionado eletricidade para enfrentar o problema dos cortes de energia, cancelou a medida no Estado de Mérida, no oeste do país, informou o jornal El Universal nesta quinta-feira, 28. O cancelamento ocorre após protestos nas ruas contra a medida.

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Um funcionário da companhia elétrica estatal Corpoelec em Mérida, Daniel Torres, disse que foi tomada a decisão de "suspender temporariamente" o racionamento em Mérida. A mudança ocorreu após uma reunião que incluiu o ministro do Interior, Tareck El Aissami.

 

O governo já cancelou o racionamento em Caracas, apenas um dia após ele entrar em vigor, pois houve uma série de problemas na capital com as restrições. Em alguns casos, áreas tiveram acidentalmente a energia cortada duas vezes no mesmo dia, por quatro horas cada vez. Sinais de trânsito desativados também causaram confusão.

 

Funcionários venezuelanos insistem que, apesar dos problemas, o racionamento por todo o país deve ser retomado até maio, quando a temporada de chuvas começa e os níveis em represas de importantes hidrelétricas devem subir. Um novo plano de racionamento em Caracas deve ser anunciado ainda esta semana.

 

Torres disse que o racionamento em Mérida era mais drástico do que em outras regiões. Ele notou que nesse Estado houve uma redução de 35% no uso de energia, enquanto nos vizinhos Táchira e Trujillo a queda no consumo foi de apenas 20% e 18%, respectivamente.

 

Os protestos em Mérida não foram apenas contra o racionamento, mas também contra a decisão do governo de cancelar o sinal da Rádio Caracas de Televisão (RCTV), pela segunda vez em três anos. Dois estudantes, um partidário do governo e outro contrário, foram mortos a tiros em Mérida nesta semana, durante os protestos.

 

Caso o governo continue enfrentando resistências para implementar o racionamento de energia, isso pode representar um problema ainda maior para o sistema energético do país, que segundo funcionários locais já está perto de um colapso por causa do aumento na demanda.

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