Efe
Efe

Venezuela terá hegemonia da propriedade social, diz Chávez

Presidente pede que setores privados apoiem o 'rumo do país' e afirma não exclusão da propriedade privada

Reuters,

28 de janeiro de 2010 | 18h47

O presidente venezuelano Hugo Chávez disse nesta quinta-feira, 28, que pretende levar seu país à hegemonia da propriedade social, e pediu que o setor privado apoie sem temor essa iniciativa da revolução socialista.

 

"Vamos seguindo com o curso da nave, e eu peço, em vez de temores, apoio do setor produtivo nacional, rumo a hegemonia da propriedade social dos meios de produção, o que não exclui a propriedade privada", disse o mandatário, trajando uniforme militar, na televisão e rádio estatais.

 

Grupos empresariais costumam se queixar de que no existe segurança jurídica no país ante as nacionalizações do governo de Chávez, que afetaram desde o vital setor petrolífero até processadoras de café e frigoríficos.

 

Minutos depois, o presidente afirmou que sua revolução está em um "processo de transição inédito" que permitirá a convivência de vários tipos de propriedade, incluindo a familiar, social, estatal e mista, entre outras.

 

O mandatário propôs em 2007 uma reforma na Constituição que incluía na carta magna vários tipos de propriedade, mas ela foi rechaçada em um referendo. Críticos asseguravam que a legislação atacava a propriedade privada.

 

Chávez, que enfrentará eleições cruciais em oito meses nas quais terá de manter a maioria na Assembleia Nacional, se encontra refém de um cenário política que combina uma recessão econômica com descontentamento social devido a deterioração dos serviços públicos, a insegurança e a inflação.

 

Analistas dizem que ele tenta aumentar a polarização do país para reagrupar suas fileiras, enquanto a oposição critica medidas do governo como a recente desvalorização do bolívar e o racionamento elétrico.

Além disso, Chávez voltou a alarmar o setor privado ao nacionalizar recentemente a rede franco-colombiana de supermercados Éxito, que ele acusou de fazer aumentos abusivos de preços.

Chávez disse em seu pronunciamento que espera que os empresários se adaptem a essa hegemonia, e afirmou que o governo levará em conta outras variáveis, como a relação entre produtos e necessidades e a substituição de importações - a Venezuela compra no exterior 90 por cento dos bens que consome.

Ele também pediu aos empresários que evitem a usura e reduzam suas margens de lucros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.