Venezuela toma fazenda de eucaliptos de empresa irlandesa

O governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tomou posse de uma fazenda de eucaliptos de propriedade da empresa irlandesa Smurfit Kappa, prometendo cortar as árvores e usar o terreno para plantação, em mais uma medida para aumentar o poder do Estado sobre o setor de alimentos. Desde que venceu um referendo há três semanas, que o autoriza a concorrer de novo à reeleição em 2012, Chávez fez da agricultura e dos alimentos suas prioridades e parece estar renovando um esforço para incrementar a produção agrícola via reforma agrária. Nesta semana, Chávez estatizou uma fábrica de processamento de arroz da gigante de alimentos norte-americana Cargill e enviou soldados a outros engenhos de arroz num esforço para controlar o fornecimento do grão. A Smurfit Kappa informou nesta sexta-feira que estava negociando com a Venezuela depois que as autoridades assumiram o controle de uma área com cerca de 3.700 acres (1.500 hectares), avaliada aproximadamente em 500 mil euros. A Smurfit Kappa é uma importante empresa do setor de embalagens de papelão. As ações da empresa listadas em Londres caíram mais de 6,0 por cento nesta sexta-feira. No final da quinta-feira, Chávez disse que o governo interveio na plantação de eucaliptos El Pinal porque as árvores que consomem muita água estavam secando os rios da região. Ele disse que o governo plantaria novamente na fazenda. "Vamos usar essa madeira de forma racional e depois mudaremos a vocação da terra. Vamos plantar outras coisas que não são eucalipto", disse Chávez durante um discurso na televisão. O analista Robert Eason, da Goodbody Stockbrokers, em Dublin, disse em uma nota que a Smurfit Kappa possuía 30 mil hectares (74 mil acres) na Venezuela, o que representa 35 por cento das propriedades do grupo na América Latina. "Isso representa uma apropriação muito pequena", escreveu Eason, acrescentando que a América Latina representa 15 por cento das receitas da Smurfit Kappa. A Venezuela é a maior exportadora de petróleo da América do Sul e suas terras férteis foram abandonadas quando a indústria de petróleo expulsou as fazendas de café e cacau na década de 1920. Chávez, que cresceu na zona rural, tem planos de longo prazo para dobrar a quantidade de terra cultivada no país. No passado, Chávez desapropriou grandes fazendas consideradas improdutivas e as deu a pequenos produtores. A reforma agrária provocou violência, com dezenas de agricultores assassinados nos últimos anos.

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