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Venezuela vive expectativa após derrota de Chávez

Mesmo sem aprovar reforma, presidente diz que implementará socialismo através de mecanismos nas leis atuais

Fabián Andrés Cambero, REUTERS

03 de dezembro de 2007 | 12h10

A Venezuela acordou nesta segunda-feira, 3, perguntando-se sobre quais serão os próximos passos do presidente Hugo Chávez após sua histórica derrota no referendo por meio do qual pretendia reformar a Constituição, a fim de ampliar seus poderes e aprofundar o socialismo no país.  Veja também: Para Lula, Chávez aceitou vontade da maioriaAmorim: 'derrota foi boa para a democracia'Venezuela rejeita reforma constitucional Chávez reconhece derrota Resultado é 'vitória da democracia'Chávez diz que aceita qualquer resultado Tensão na América do Sul  Conheça pontos centrais da reforma  Acompanhe a trajetória de Hugo Chávez     Após uma intensa campanha eleitoral, o presidente admitiu sua derrota nas primeiras horas da madrugada de segunda-feira, mas disse que a proposta de transformação está "viva" e que lançará mão dos mecanismos presentes nas leis atuais para continuar implantando mudanças. "Não se conseguiu fazer isso agora. Mas mantenho a proposta, a mais avançada do planeta e que busca alcançar a máxima inclusão social, princípio fundamental de nosso sistema", declarou Chávez em um discurso proferido após reconhecer a vitória da oposição. Após confirmada a derrota de Chávez, os adversários do polêmico plano de reforma constitucional saíram às ruas de Caracas para comemorar com "buzinaço" e queima de fogos a vitória do "não" no referendo, que representa a primeira derrota eleitoral do presidente em seus nove anos de governo. Entre as alterações constitucionais incluíam-se a possibilidade de Chávez concorrer indefinidamente à reeleição e a concessão de poderes extraordinários para restringir a liberdade de expressão durante os estados de exceção, propostas às quais se opunham até mesmo alguns membros do governo. Analistas acreditam que Chávez pode adotar, via decretos, parte de sua proposta de reforma da Carta Magna, especialmente os pontos menos polêmicos, como a ampliação da seguridade social aos setores informais da economia. Nas primeiras horas de segunda-feira, as ruas de Caracas encontravam-se menos movimentadas que o usual. Também porque as atividades escolares haviam sido suspensas. O diretor do instituto de pesquisa Datanálisis, Luis Vicente León, prevê que o presidente adotará por meio de decretos parte do pacote de medidas a fim de seguir com suas reformas socializantes e rebater a tese da oposição de que estaria tentando apenas perpetuar-se no poder. Mas a oposição interpretou o resultado como uma prova de que os venezuelanos rechaçam o socialismo e mostrou-se confiante sobre a possibilidade de se abrir um diálogo com o governo. "Estamos em um processo de reconfiguração da oposição. A grande força de Chávez baseou-se até agora na fraqueza de seus adversários. Os adversários, no entanto, começaram a superar suas fraquezas", afirmou a jornalistas o conhecido político esquerdista Teodoro Petkoff.

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