Venezuelano quer explicar dinheiro não-declarado na Argentina

Mala de dólares gera acusações; funcionário argentino ligado ao governo de Caracas se demite na quinta-feira

REUTERS

10 de agosto de 2007 | 12h38

O venezuelano que desembarcou na Argentina com funcionários do governo de Bueno Aires carregando uma maleta com US$ 800 mil, encontrada por integrantes da alfândega, prometeu nesta sexta-feira, 10, dar explicações sobre o caso responsável por provocar suspeitas de corrupção.O fato aconteceu na madrugada do sábado, quando um avião alugado pela empresa estatal Enarsa, da Argentina, pousou no país vindo de Caracas. A bordo dele havia funcionários da empresa, do governo, da empresa petrolífera PDVSA, da Venezuela, e Guido Alejandro Antonini Wilson, o venezuelano que levava a maleta."Tenho muito interesse em esclarecer tudo isso", afirmou Antonini ao jornal argentino La Nación. O venezuelano encontrava-se na quinta-feira em Buenos Aires e estava prestes a partir rumo a Miami, afirmou o jornal."As pessoas estão falando muitas bobagens em Buenos Aires. Quero muito explicar tudo isso", repetiu.Antonini, que, segundo a Justiça da Argentina, também possui um passaporte norte-americano, viu-se acusado de contrabando pela alfândega e pode ser intimado a depor.Em meio a crescentes suspeitas de corrupção, o escândalo detonado pela descoberta da maleta de dinheiro provocou a demissão, na quinta-feira, de Claudio Uberti, um funcionário argentino importante nas relações do país com a Venezuela.O ministro argentino do Planejamento, Julio De Vido, disse que a saída de Uberti deveu-se à negligência do funcionário por permitir o embarque de um venezuelano que não pertencia à comitiva da Argentina.Mas, durante um pronunciamento feito na quinta-feira, o presidente argentino, Néstor Kirchner, mencionou o termo "subornos" e assegurou que "pela primeira vez neste país estamos combatendo a corrupção". Kirchner, no entanto, não se referiu ao caso explicitamente.A menos de três meses das eleições presidenciais nas quais a primeira-dama e senadora Cristina Fernández lidera as pesquisas para suceder ao marido, o caso transformou-se em uma dor de cabeça para o governo.Um mês atrás, a ex-ministra da Economia Felisa Miceli viu-se obrigada a abandonar o cargo por ter sido encontrada entre suas bagagens uma bolsa com cerca de 60 mil dólares de origem suspeita.E dois funcionários públicos de menor escalão tiveram de deixar seus cargos devido a acusações de envolvimento em esquemas de superfaturamento de obras públicas.

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