Venezuelanos estão às escuras com doença de Chávez

Mistério, rumores e teorias da conspiração cercam a saúde de Hugo Chávez quase um ano depois de seu diagnóstico de câncer. Muitos venezuelanos já imaginam no futuro sem o presidente todo-poderoso.

HELEN PO, REUTERS

24 Maio 2012 | 14h23

Soldado da reserva que dominou o país da Opep nos últimos 13 anos, Chávez diz que está se recuperando e tentará a reeleição em outubro. Cerca de dois terços dos eleitores acreditam que ele melhorará e o presidente está à frente da maioria das pesquisas de opinião.

Mas o sigilo de Estado que cerca a doença de Chávez e sua discrição fora do comum estão alimentando especulações de que talvez ele tenha de se retirar da disputa antes do dia da votação, ou logo depois da eleição de 7 de outubro, em que disputa com o jovem governador Henrique Capriles.

Os eleitores, em especial os simpatizantes da oposição, afirmam que o pior é não saber de nada.

"As pessoas dizem que ele está muito mal, mas de repente ele aparece falando", disse a dentista Barbara Sanchez, de 33 anos, que trabalha em um bairro rico de Caracas e apoia Capriles. Ela afirmou que o governo não quer que as pessoas saibam a verdade.

"O que me preocupa é imaginar o que acontecerá se o presidente morrer. Eles não nos disseram isso", afirmou ela.

Ninguém diz que tipo de câncer o presidente socialista teve, qual a agressividade ou o estágio da doença quando ela foi detectada, nem qual tipo de tratamento foi submetido em Cuba, como convidado de seu mentor, Fidel Castro.

No entanto, ele passou por três cirurgias na pélvis em menos de um ano. A radioterapia o deixou cansado, diz ele, e o presidente admite que não é mais o "cavalo selvagem" de antigamente.

Ele tem afirmado várias vezes que tenta mudar seu jeito de ser workaholic e segue ordens médicas para descansar.

"Hoje em dia, peço a Deus que me dê a força de um búfalo e não de um cavalo", disse ele na semana passada.

As declarações, seguidas na terça-feira por uma transmissão na TV de duas horas com Chávez liderando uma reunião ministerial - na primeira aparição pública em 11 dias --, podem aplacar as especulações de que ele possa estar perdendo a batalha contra o câncer.

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