Venezuelanos pró-Chávez festejam golpe na véspera da eleição

Às vésperas da eleição presidencial na Venezuela, seguidores de Hugo Chávez comemoraram neste sábado um marco da revolução do falecido líder socialista, causando a repulsa de uma oposição que já se queixa de uma campanha favorável ao governo.

BY TODD BENSON, Reuters

13 de abril de 2013 | 18h16

Sábado marcou o 11º aniversário da volta de Chávez ao poder após um golpe de dois dias tacitamente apoiado pelos Estados Unidos.

O evento pavimentou o apoio ao ex-paraquedista e o incentivou a seguir adiante com políticas cada vez mais radicais que polarizaram ainda mais a Venezuela.

A TV estatal venezuelana transmite uma avalanche de programas glorificando Chávez e mostrando o candidato opositor, Henrique Capriles, como o herdeiro político de uma "oligarquia de direita" que orquestrou o golpe de 2002.

Milícias pró-Chávez também planejavam celebrar o golpe malfadado em uma vizinhança barra-pesada de Caracas, um evento que se esperava dobrar e virar um comício informal do candidato governista Nicolás Maduro, a despeito da proibição de campanhas nos dois dias que antecedem o pleito.

Frustrada pelo que vê como um uso ilegal de recursos governamentais para sustentar a candidatura de Maduro, a oposição fez uma queixa formal junto à autoridade eleitoral, alegando que o canal de TV estatal Venezolana de Television (VTV) está violando as leis eleitorais ao transmitir este conteúdo político.

"É inaceitável que um canal oficial viole as regras", disse a equipe de campanha de Capriles em um comunicado, conclamando a autoridade eleitoral a tomar medidas imediatas contra a VTV.

Em sua queixa, a oposição ainda alegou que o ex-jogador argentino Diego Maradona ignorou as leis eleitorais venezuelanas ao endossar publicamente Maduro, favorito à vitória no domingo.

Maradona, conhecido por sua inclinação esquerdista e proximidade de Chávez, se juntou a Maduro na quinta-feira, em seu último comício, e passou boa parte da sexta ao seu lado.

Um representante do Conselho Eleitoral da Venezuela disse que o organismo não comentou a demanda da oposição.

Depois que a campanha formal foi encerrada, na noite de quinta-feira, Capriles, de 40 anos, relaxou no dia seguinte jogando basquete em Petare, a maior favela da capital Caracas. Ele baseou sua campanha na imagem de juventude e energia, quase sempre usando um boné de beisebol, esporte popular em seu país.

A campanha para a sucessão de Chávez, que morreu em 5 de março após dois anos lutando contra o câncer, foi bastante turbulenta, e os dois lados recorreram à linguagem de baixo calão e a insultos pessoais.

As urnas serão abertas às 6h (07h30 no horário de Brasília) e fechadas às 18h (19h30 no horário de Brasília), embora o horário possa ser prorrogado se houver filas. Os resultados são esperados na noite de domingo.

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