Venezuelanos votam em massa em eleição tranqüila

Chávez enfrenta crescimento da oposição e pode perder apoio de regiões mais populosas do país

Efe

23 de novembro de 2008 | 11h37

Desde as primeiras horas do dia, os venezuelanos participam em massa das eleições regionais no país, neste domingo, 23. Durante a campanha, forças políticas, sociais religiosas do país, pró e contra o governo do presidente Hugo Chávez, pediram que o eleitorado fosse às urnas. O processo se desenvolve sem incidentes e com atrasos minoritários na abertura dos centros de votação.  Serão escolhidos governadores de 22 estados, além de 300 prefeitos e maisde 200 legisladores locais. Veja também: Eleições regionais na Venezuela testam força do chavismo Imagens da Dinastia Chávez  Entenda: eleições podem alterar mapa político do país  Cronologia do processo eleitoral venezuelano  A tentativa de Chávez de controlar a imprensa    Nas primeiras horas de votação, e inclusive antes da abertura dos centros eleitorais, às 6h (8h30 de Brasília), milhares de eleitores faziam fila diante de suas mesas de votação, afirmam os meios de comunicação. Cerca de três horas antes - 3h da manhã no horário de Caracas - começaram a ser lançados fogos de artifício, principalmente nos bairros populares, para acordar as pessoas e incentivá-las a ir aos centros de votação. O barulho foi complementado por equipamentos de megafonia instalados em caminhonetes que percorreram as ruas desses bairros, embora, a essa hora, milhares de eleitores já faziam fila em frente às mesas de votação, à espera do começo do processo, segundo imagens mostradas pela televisão.   Cerca de 17 milhões de venezuelanos foram convocados para escolher 603 cargos que atualmente estão ocupados, majoritariamente, por autoridades ligadas ao governo do presidente Hugo Chávez. Nas últimas eleições regionais, em 2004, o chavismo conquistou 20 dos 22 Estados.   A abstenção nas mesmas eleições há quatro anos atrás foi de 54,6% e seus candidatos ganharam com o voto de 24,5% do total de pessoas convocadas, o que subiu para 57,3% na contabilidade de votos emitidos.   Sandra Oblitas, uma das cinco principais autoridades do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), atribuiu a previsão de uma maior ida às urnas a que "as pessoas assumiram de maneira mais responsável a dimensão da importância da participação política", apesar do voto na Venezuela não ser obrigatório. "Nestas eleições, teremos uma quantidade grande de eleitores, pois o povo venezuelano está consciente do momento político que vive o país", acrescentou Oblitas, mas sem detalhar em quanto estimava que seria a participação eleitoral.   Se o partido de Chávez obtiver vitórias significativas - opção menos provável, segundo analistas, mas que deve ser seriamente considerada -, o presidente diz que pretende "aprofundar" a sua revolução bolivariana. Alguns de seus aliados indicam que Chávez até poderia relançar, na forma de emenda constitucional, a proposta que lhe permitiria ser reeleito indefinidamente, rejeitada em referendo no ano passado por 50,6% dos venezuelanos.   Até a semana passada (quando o governo venezuelano proibiu a sua divulgação), as pesquisas favoreciam o primeiro cenário. De acordo com o instituto Hinterlaces, por exemplo, a oposição, que em 2004 venceu em apenas dois Estados, teria boas chances de conquistar de seis a oito governos estaduais. Dissidentes (ex-chavistas que se recusaram a ingressar no Partido Socialista Unidos da Venezuela, PSUV) poderiam ganhar em outros dois. E o restante - de 10 a 12 Estados - permaneceria com o PSUV, do presidente.    

Tudo o que sabemos sobre:
Chávezvenezuelaeleições regionais

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.