'Vi emblema da Cruz Vermelha durante resgate', diz rebelde

Comitê Internacional da organização nega que tenha participado da ação que resgatou Ingrid e mais 14 reféns

Efe,

10 de julho de 2008 | 01h21

O guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) conhecido como "César" disse ter visto emblemas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nas pessoas que participaram da operação de resgate de reféns, informou nesta quarta-feira, 9, seu advogado. Ele foi detido durante o resgate da franco-colombiana Ingrid Betancourt e de mais 14 reféns. Veja também:Chávez diz que Betancourt pediu sua ajuda em negociação com FarcUribe promete não esquecer os outros reféns das FarcEUA solicitam à Colômbia extradição de membros das Farc Rodolfo Ríos, que defende Gerardo Antonio Aguilar, nome verdadeiro de "César", disse a jornalistas que seu cliente contou que, na hora de entrar no helicóptero usado no resgate, viu pessoas de outros países, o que lhe fez desconfiar da entrega dos seqüestrados. No entanto, "foi impossível para ele voltar atrás, já que foi enganado, porque viu emblemas da Cruz Vermelha". "As pessoas que estavam dentro do helicóptero tinham emblemas da Cruz Vermelha e camisas com o rosto de Che Guevara. Ele também observou veículos de comunicação e outros elementos que o fizeram crer em uma ação humanitária", disse Ríos. Na segunda-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) frisou que "não participou" da "Operação Xeque" do Exército colombiano. O CICV "quer deixar claro que não recebeu nenhuma solicitação nem participou da operação" que tirou Betancourt, três americanos e 11 soldados e policiais colombianos das mãos das Farc. Ríos acrescentou nesta quarta que, para "César", a operação do serviço secreto militar para instalar escutas nas comunicações eletrônicas das Farc durou pelo menos dez meses, "já que, em um tempo menor do que esse, seria impossível entender os códigos" dos rebeldes e entender sua linguagem cifrada. "('César') disse que não houve pessoas infiltradas, que tudo foi feito com base na intercepção de mensagens eletrônicos. Não houve pessoas infiltradas. Tudo foi feito apenas com uso de alta tecnologia. Por isso, ele acredita que militares dos Estados Unidos e Israel" fizeram esse trabalho, acrescentou o advogado de defesa. Ríos reiterou que ninguém nunca ofereceu dinheiro a "César" para que soltasse os reféns que estavam sob custódia da 1ª Frente das Farc. "A intercepção foi tão avançada que ('César') pensou que o Bloco Leste estava se comunicando com o Secretariado. Mas, então, chegou o Exército", contou.

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