Vice boliviano adia sessão sobre referendo constitucional

Parlamento debaterá Constituição de Evo na sexta; para oposição, sessão desta 5.ª era 'medida de pressão'

Efe,

16 de outubro de 2008 | 16h32

O vice-presidente da Bolívia e presidente do Congresso, Álvaro García Linera, anunciou nesta quinta-feira, 16, o adiamento até sexta da sessão marcada para esta tarde e na qual o Parlamento debateria a lei do referendo constitucional. García Linera justificou o adiamento "para permitir" que oposição e governo cheguem a acordos na comissão do Congresso que negocia modificações no projeto antes de convocar o referendo constituinte. Veja também:Marcha por referendo avança e pressiona Congresso na Bolívia "Estamos perto de um grande acordo, de um grande reencontro", disse o vice-presidente durante uma coletiva concedida em La Paz. Segundo García Linera, "há todas as condições para que nas próximas horas a Bolívia possa ter nas mãos do Congresso um texto que a una." A oposição ao presidente Evo Morales tinha criticado a sessão do Legislativo convocada para esta quinta por a considerar uma nova "medida de pressão" sobre as negociações abertas para tentar resolver a crise política do país.  Na Bolívia, os opositores partidários e autonomistas de Evo Morales rejeitam plenamente o projeto constitucional com o qual o presidente indígena e esquerdista quer "refundar" o país. No Congresso, uma "comissão de diálogo" negocia introduzir modificações ao projeto constitucional para que a oposição aceite convocar o referendo que requer sua entrada em vigor, já que o governo precisa de seus votos para reunir os dois terços necessários. O diálogo no Congresso está sob a observação de delegados de organizações internacionais, entre eles a União de Nações Sul-americanas (Unasul), a União Européia (UE) e a Igreja Católica. O vice-presidente boliviano pediu aos setores da oposição que se negam a aceitar o referendo constituinte que "baixem a guarda e não continuem promovendo o choque", e qualificou-os de "forças de confronto." "Convoco estes núcleos reduzidos de extrema direita, ultraconservadores, reacionários, retrógrados frente à história a que mudem de atitude e não sigam enfrentando a Bolívia", disse o vice-presidente. "Não queríamos entender que, ao bloquear a aprovação da nova Constituição, estariam preparando um novo golpe civil", acrescentou García Linera, em referência aos protestos de oposição de setembro, que causaram uma onda de violência que incluiu a tomada de escritórios estaduais em várias regiões.

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