Vice boliviano convoca Congresso para aprovar referendo

Ainda sem acordo com oposição, congressistas se reunirão na 5ª para discutir projeto constitucional de Evo

Efe,

14 de outubro de 2008 | 17h00

O vice-presidente da Bolívia e presidente do Congresso, Álvaro García Linera, convocou nesta terça-feira, 14, os congressistas para uma sessão parlamentar na quinta, quando pretende aprovar a realização do referendo constitucional promovido pelo governo, apesar de ainda não haver um acordo com a oposição. Os 130 deputados e 27 senadores bolivianos se reunirão no Congresso às 16h locais (17h de Brasília), tendo na pauta a votação sobre a consulta, que terá duas perguntas e poderá acontecer em fevereiro do ano que vem. Veja também:Evo participa de marcha para pressionar CongressoCongresso da Bolívia cria comissão de diálogo para Constituição No referendo, os bolivianos responderão qual área deverá ter um latifúndio para ser considerado improdutivo e desapropriado (5 mil ou 10 mil hectares), questão em torno da qual não houve consenso durante a Assembléia Constituinte. A cédula de votação também perguntará se os bolivianos aceitam todo o texto da nova Constituição, composta por 411 artigos e que foi aprovada em dezembro com a rejeição da oposição. Os partidos contrários ao presidente Evo Morales criticaram a convocação da sessão de quinta, por considerá-la uma nova "pressão" sobre o diálogo entre as partes. Desde a semana passada, o Governo e a oposição negociam, na sede do Legislativo, possíveis modificações no texto constituicional, as quais conduziriam à convocação consensual do referendo. Para o presidente do Senado, o opositor Óscar Ortiz, do Poder Democrático e Social (Podemos), o decisão de García Linera de votar a realização do consulta esta semana é "um péssimo sinal para o processo de diálogo." Ortiz frisou que a sessão de quinta é "um ato de pressão", assim como a passeata de sindicalistas e camponeses ligados a Morales, iniciada ontem e que deve chegar a La Paz na próxima semana, para exigir da oposição que aprove a convocação do referendo. Segundo Ortiz, uma votação sobre a consulta esta semana "embaça" as negociações e fixa "um prazo absolutamente surreal" para o alcance de um acordo sobre o texto constitucional. "Obviamente, o país compreenderá que, quando há visões tão profundamente diferenciadas, é muito difícil, em poucas horas, em poucos dias, acordar uma Constituição", disse o presidente do Senado. Já o ministro de Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, que é um dos principais negociadores do governo, disse que a sessão de quinta não tem que ser entendida como um prazo ao diálogo. "A convocação feita ao Congresso não representa a paralisação ou a imposição de obstáculos ao diálogo. São dois processos que devem ser paralelos", alegou Romero.

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