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Vídeo confirma doação das Farc à campanha de Rafael Correa

Número 2 da guerrilha lê declaração de Marulanda que reconheceria financiamento; denúncia já circulava

Associated Press,

17 de julho de 2009 | 16h44

A agência Associated Press (AP) obteve um vídeo que aponta que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) financiaram a campanha eleitoral do presidente equatoriano Rafael Correa em 2006. A gravação de uma hora foi encontrada pela polícia durante a prisão de um membro da guerrilha em maio. Nele, o número 2 das Farc lê uma declaração do ex-líder guerrilheiro Manuel Marulanda, que claramente confirma as doações à campanha de Correa.

 

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O vídeo foi fornecido à AP sob condição de anonimato, e acrescenta evidências às denúncias reveladas por documentos encontrados no ano passado em um acampamento da guerrilha que já indicava as doações ao presidente equatoriano. Ele afirma que os papeis foram plantados pelo governo colombiano.

 

Nas imagens se vê Jorge Briceño, conhecido como Mono Jojoy, um dos sete membros do secretariado das Farc, mencionando que algumas informações da guerrilha foram descobertas em operações das autoridades colombianas. "Os segredos das Farc foram totalmente perdidos", disse Jojoy. "Nos documentos havia referências a compra de armas de vários calibres (...) ajuda em dólares à campanha de Correia e conversas posteriores com seus emissários, incluindo alguns acordos", acrescenta.

 

Questionado sobre o vídeo, o ministro da Segurança do Equador, Miguel Carvajal, afirmou que primeiro deve ver as imagens e comprovar sua veracidade, mas assegurou que tem "absoluta convicção que o governo de Correia não teve durante a campanha e não tem (atualmente) nenhuma relação com grupos como as Farc, muito menos algum tipo de acordo."

 

A revelação do vídeo pode piorar as relações entre Colômbia e Equador. Em março de 2008, o então ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, ordenou um bombardeio de um acampamento das Farc em solo equatoriano. Entre os mortos pela operação estava Raúl Reyes, um alto comandante da guerrilha. Desde então, o Equador mantém suspensa sua relação diplomática com a Colômbia, alegando que o ataque representou violação de soberania.

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