Vídeo desmente versão de Kirchner sobre 'homem da mala'

Emissora estatal mostra venezuelano Guido Wilson em audiência com Nestor Kirchner na Casa Rosada em 2007

Marina Guimarães, da Agência Estado,

20 Novembro 2009 | 12h25

Um vídeo da emissora oficial de televisão do País, Canal 7, mostra que o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson esteve na Casa Rosada em agosto de 2007, durante uma solenidade com participação do então presidente Néstor Kirchner para assinatura de acordos de cooperação com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A presença do empresário na sede do Executivo desmente as informações oficiais de que o venezuelano nunca havia entrado na Casa Rosada.

O encontro aconteceu em 6 de agosto daquele ano, dois dias depois que Wilson tentara entrar ilegalmente na Argentina com uma maleta contendo US$ 800 mil. A justiça norte-americana afirmou que o dinheiro era para a campanha eleitoral de Cristina, que seria eleita em outubro. Além das provas no caso Wilson, a Casa Rosada e o governo local de Buenos Aires estão em pé de guerra por questões relacionadas à espionagem.

O vídeo foi entregue à justiça local, segundo informações da imprensa argentina. Nas imagens, Wilson aparece no Salão Branco, o principal ambiente da Casa Rosada usado para solenidades importantes.

Na época Wilson desembarcou em Buenos Aires em um avião alugado pela estatal argentina de energia, Enarsa, no qual viajaram o presidente dessa companhia e vários outros funcionários públicos argentinos e da estatal petrolífera venezuelana PDVSA.

O voo procedente de Caracas chegou de madrugada no aeroporto portenho, provocando o maior escândalo do governo Kirchner. Dos cinco funcionários públicos argentinos e quatro venezuelanos envolvidos no caso, apenas Claudio Uberti, o braço direito do ministro de Planejamento, Julio De Vido, foi demitido.

O caso foi investigado pela polícia norte-americana por estar vinculado a outras causas judiciais nos EUA envolvendo cidadãos venezuelanos ligados a Wilson, o homem da maleta. Em Miami, Wilson confirmou que o dinheiro era mesmo para a campanha de Cristina. A justiça argentina pediu sua extradição e dos funcionários públicos venezuelanos, mas o pedido não foi concedido.

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