Vídeo prova sobrevivência de sete reféns das Farc

Nas imagens da TV colombiana, preso confirma encontro com Ingrid Betancourt

Associated Press, Agencia Estado

04 Julho 2007 | 17h28

A TV Caracol da Colômbia divulgou nesta quarta-feira, 4, um vídeo com provas da sobrevivência de sete militares e policiais seqüestrados há vários anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).O vídeo foi obtido pela emissora por meio da rede de TV Al Jazira. No material, um dos seqüestrados diz que esteve em um acampamento com a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, sua companheira de cativeiro Clara Rojas e "uma criança que sempre anda com elas por todos os lados". A criança poderia ser Emmanuel, o filho que Clara Rojas teve em cativeiro, há três anos.Um dos militares que aparece no vídeo é o cabo Pablo Emílio Moncayo, seqüestrado pelas Farc há mais de nove anos no sul do país. O seu pai, o professor Gustavo Moncayo, decidiu fazer uma caminhada de cerca de 800 quilômetros até Bogotá para pedir sua libertação.Na gravação os sete militares e policiais pedem ao governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, que não tente o resgate pela força, que seria, segundo um deles, significaria a condenação dos reféns à morte. Não há informações sobre a data da gravação.O cabo Moncayo foi seqüestrado em dezembro de 1997 num ataque das Farc a um centro de comunicações do Exército, em Patascoy, na fronteira com o Equador. Na ocasião, mais de 40 militares morreram. Moncayo aparece várias vezes baixando os olhos, como se estivesse lendo um texto. Ele pede a Uribe que busque "uma saída" para o drama dos seqüestrados, "um diálogo com as Farc". Além disso, pergunta "para que recorrer à força".Os soldados são apresentados no vídeo em plano médio, comdiferentes imagens de fundo. Aparentemente, as gravações foram feitas em lugares diferentes.O policial William Giovanni Domínguez Castro, que também aparece no vídeo, disse que as operações militares e os bombardeios nas áreas onde estão os cativeiros afetam os reféns. Por isso, as Farc mudam regularmente o local onde ficam retidos.Domínguez informou que numa das mudanças de acampamentos se encontrou com mais policiais e políticos seqüestrados, "como a doutora Ingrid, Clara Rojas e uma criança que anda com elas por todo lado". "Para mim, é algo muito estranho, pois nunca vi uma criança por aqui", acrescentou o policial.Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, foi seqüestrada junto com Rojas em 23 de fevereiro de 2002.O capitão de polícia Edgar Yesid Duarte, seqüestrado há nove anos, diz no mesmo vídeo que tentar resgates militares na situação em que eles estão "é uma sentença de morte".O suboficial da polícia Luis Alberto Maya Herazo manda uma mensagem à sua família. "Apesar da ausência e do esquecimento, ainda estou vivo. Continuo com vontade de viver", diz.No fim da gravação, os militares e policiais se identificam um a um com nomes e categorias. Alguns dizem também quando foram seqüestrados. Os outros três que aparecem na gravação são Elkin Rivas, Líbio José Martínez Estrada e Álvaro Moreno.No dia 28 de junho um comunicado da guerrilha anunciou a morte de 11 dos 12 deputados do departamento de Valle del Cauca, seqüestrados desde 11 de abril de 2002.A morte dos deputados, dizia o comunicado, aconteceu num "fogo cruzado" quando o lugar onde se encontravam foi atacado por um "grupo militar não identificado".Os deputados mortos faziam parte do grupo de 56 pessoas, entre políticos, militares, policiais e três americanos que as Farc pretendem trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos.A confirmação das mortes provocou a condenação internacional e mobilizou a sociedade colombiana. O governador de Valle del Cauca, Angelino Garzón, convocou toda a nação para uma manifestação na quinta-feira.

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