Violência continua em área da fronteira Colômbia-Venezuela

A última vez em queparentes e amigos viram Hector Nieves e Luis Garcia, os doisbebiam e cantavam celebrando o começo das festividades anuaisde um santo padroeiro da região deles. No início da manhã seguinte, quando saíam da cidade vizinhade Palmarito a fim de continuar festejando, foram mortos atiros por homens armados em um ataque que vitimou ao menosquatro pessoas no total.A polícia não tem pistas sobre o crime porque nenhumatestemunha apresentou-se, mas os moradores da área de fronteiraonde fica Guasdualito, uma cidade com 60 mil moradoreslocalizada a 25 quilômetros da fronteira com a Colômbia,possuem suspeitas sobre os responsáveis pelos assassinatos. "Nós nos tornamos vítimas da violência de grupos ilegaiscolombianos", afirmou Aldo Marquez, 56, historiador deGuasdualito, referindo-se ao ataque de fevereiro. No mês passado, a Venezuela solucionou a disputa com aColômbia surgida em meio à pior crise diplomática ocorrida naregião andina em uma década, mas a violência decorrente doconflito armado de 40 anos no território colombiano continua aatingir os venezuelanos que moram nas áreas de fronteira. Autoridades e grupos de defesa dos direitos humanos citamcifras assustadoras sobre casos de sequestro, extorsão eexecução ligados à presença de guerrilheiros esquerdistas quesaem facilmente da Colômbia em vista da ausência do Estadonessa região isolada. Essa situação pode criar problemas para o presidentevenezuelano, Hugo Chávez, que já manifestou simpatia pelaguerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc),mas que rechaça as acusações de que dá apoio ao grupo. Com base em supostos documentos encontrados em computadoresdurante uma operação militar realizada pela Colômbia dentro doEquador, investida essa que provocou a crise do mês passado, aliderança colombiana acusou dos governos venezuelano eequatoriano de dar apoio às Farc. Apesar de guerrilheiros atuarem na Venezuela há décadas, oproblema agravou-se nos últimos anos, afirmam moradores, apesarde haver poucas estatísticas a respeito. O prefeito de Guasdualito, Jorge Rodríguez, um aliado deChávez, afirmou em uma recente entrevista concedida a um jornalque as guerrilhas colombianas são responsáveis pelo aumento nonúmero de assassinatos ocorrido, muitas vezes, em plena luz dodia. "Temos sofrido com os assassinatos praticados pelas Farc epelo ELN (Exército de Libertação Nacional, outra guerrilhacolombiana) na fronteira", afirmou Rodríguez. Os moradores dessas áreas falam sobre um misterioso grupoarmado venezuelano chamado Forças de Libertação Bolivarianas,acusado de assassinatos e sequestros. Esse grupo, no entanto,não contaria com uma liderança identificável. E, não obstante ser uma organização venezuelana, esseagrupamento teria métodos semelhantes aos dos gruposcolombianos. Grupos paramilitares de direita cometem crimes parecidosnos Estados venezuelanos de Zulia e Táchira, a nordeste deGuasdualito, afirmam grupos de ajuda humanitária. "Nós vivemos oprimidos por esses grupos criminosos",afirmou em janeiro um total de 180 habitantes de Guasdualito emuma declaração surpreendentemente franca na qual se denunciou aviolência.

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