Reuters
Reuters

Violência de seguidores de Zelaya é contra povo, diz Micheletti

Simpatizantes de deposto voltam às ruas em Honduras e cerca de 100 são presos após choque com a polícia

13 de agosto de 2009 | 07h56

O atual presidente de Honduras, Roberto Micheletti, disse na quarta-feira, 12, que as ações violentas registradas nos últimos dias por seguidores do líder deposto Manuel Zelaya não são contra seu governo, mas contra a população. A polícia prendeu pelo menos 40 pessoas num protesto em uma universidade de Tegucigalpa, usada como abrigo por centenas de simpatizantes de Zelaya que chegaram de todo o país para protestar contra a crise política. Outros 55 manifestantes foram presos no centro da cidade, onde opositores enfrentaram a polícia, que usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

 

"Injustamente a ação violenta e terrorista não é dirigida contra o governo, e sim contra a população. A ideia é interromper o processo eleitoral", afirmou Micheletti à imprensa. O líder golpista pediu a cooperação de todos os hondurenhos para que se mantenham "de guarda" e "previnam e denunciem mobilizações suspeitas de estrangeiros infiltrados (...), de agentes de Governos estrangeiros" que segundo ele querem incorporar Honduras ao grupo de regimes "repressivos".

 

Sobre a detenção de vários manifestantes, Micheletti disse que foram feitas respeitando as garantias estabelecidas na lei e que "os acusados" terão que responder na Justiça pelas ações. "Hoje continuaram as manifestações violentas, minhas instruções de respeitar os direitos estão mantidas, toda atuação contra os delinquentes será feia conforme a lei", afirmou o presidente.

 

Micheletti falou aos hondurenhos após os incidentes violentos que aconteceram na terça e na quarta durante as manifestações de milhares de seguidores de Zelaya em Tegucigalpa, que terminaram com cerca de 100 detidos, um ferido e a queima de um ônibus e de um restaurante. O deputado de esquerda, Marvin Ponce, do Partido Unificação Democrática, ficou ferido nos distúrbios.

 

Honduras vive uma profunda crise política desde o dia 28 de junho, quando Zelaya foi expulso do país pelos militares e Roberto Micheletti, que presidia o Congresso, foi designado presidente. No protesto de quarta-feira no centro de Tegucigalpa, os manifestantes lançaram pedras e outros objetos contra a polícia.

 

Zelaya no Brasil

 

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em Brasília ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que a sua recondução ao poder tem de ser feita de forma rápida. "Nos preocupa a demora", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, após a audiência entre Lula e Zelaya. Ele disse que Lula se dispôs a falar no momento oportuno com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Zelaya viaja hoje para o Chile, onde deve se encontrar com a presidente Michelle Bachelet.

 

Segundo Amorim, quanto mais o tempo passa, menores são as chances de que as eleições presidenciais programadas para novembro em Honduras sejam reconhecidas como legítimas pela comunidade internacional. "Isso é ruim para a democracia. Então é preciso que não só o presidente Zelaya volte, mas que volte rápido", disse Amorim.

 

O Itamaraty aproveitou a visita do presidente deposto para renovar a pressão sobre os golpistas hondurenhos, que assumiram o governo no dia 28 de junho depois que militares armados tiraram Zelaya de casa ainda vestido de pijama e colocaram o presidente deposto num avião para a Costa Rica. "Para que o presidente Zelaya volte rápido é preciso que os golpistas entendam que eles não têm futuro. Quem pode dizer isso com todas as letras para eles são os Estados Unidos, porque têm maior influência direta. Mas isso dentro do marco multilateral e da carta democrática que todos apoiamos. É muito importante que isso ocorra", disse Amorim.

 

Zelaya contou ao presidente Lula que o avião usado para expulsá-lo de Honduras fez uma escala na base militar de Palmerola, controlada de forma conjunta pelo Exército hondurenho e forças americanas. "O Pentágono tinha de saber que o avião estava sendo usado para um golpe de Estado", disse Zelaya. O presidente deposto disse ainda ter recebido um novo convite para visitar a secretária de Estado norte-americana, Hilary Clinton, em Washington.

 

Para o chanceler brasileiro, é preciso que o governo de facto entenda que não há espaço para golpes na região. Segundo ele, isso tem de ser dito claramente pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo governo dos Estados Unidos. "Não há dúvida sobre o apoio do Brasil à volta imediata e incondicional do presidente Zelaya a Honduras."

Tudo o que sabemos sobre:
Honduras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.