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Violência política deixa três mortos e 60 feridos na Bolívia

Manifestação contra prefeito de Yapacani deixa latentes problemas sociais no país

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12 de janeiro de 2012 | 15h17

LA PAZ - Confrontos entre policiais e manifestantes que exigiam a renúncia do prefeito de um povoado amazônico na Bolívia deixaram três civis mortos e ao menos 60 feridos, informou o governo boliviano nesta quinta-feira, 12.

 

A violência política no povoado de Yapacaní, no Departamento de Santa Cruz, leste do país, parece mostrar novamente as crescentes dificuldades que o autoproclamado "governo de movimentos sociais" do presidente Evo Morales enfrenta para controlar seus seguidores.

As mortes em Yapacaní ocorreram entre a tarde e a madrugada de quarta-feira, quando centenas de pessoas tomaram a sede do governo municipal para expulsar o prefeito David Carvajal, que havia sido conduzido ao cargo dois dias antes por uma ordem judicial.

 

No último fim de semana, produtores de coca de uma região situada ao norte de La Paz, que são supostos aliados do governo, expulsaram um grupo de militares acusando-os de cometer abusos nas tarefas de redução de plantações de coca próximas ao povoado de Caranavi, onde outros protestos sindicais deixaram mortos em 2010.

"Ontem em Yapacaní houve uma morte nos confrontos na prefeitura e depois a polícia sofreu graves agressões quando se retirava do lugar. Fomos informados posteriormente da morte de outros dois manifestantes", disse aos jornalistas o ministro de Governo, Wilfredo Chávez. "O governo pediu a formação imediata de uma comissão de fiscalização para determinar os responsáveis", completou.

O governo anunciou investigações similares para outros atos de violência - entre eles um notável caso de repressão policial a uma marcha indígena no ano passado-, mas nenhuma resultou em processos judiciais até agora.

Chávez antecipou que a polícia não será responsabilizada pelas mortes de quarta-feira, pois ao menos duas das mortes foram provocadas por tiros de escopeta que, segundo assegurou o ministro, os oficiais não portavam.

A mídia local divulgou versões contraditórias sobre uma suposta renúncia do prefeito Carvajal, que foi destituído por um conselho local em dezembro passado e substituído por outro oficial, Zenobio Meneses.

A violência surgiu esta semana, quando Carvajal recebeu amparo constitucional e tentou voltar à prefeitura. O Movimento ao Socialismo, liderado por Morales, controla mais de dois terços dos mais de 200 municípios do país.

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