Vítima da ditadura argentina pede testemunho do juiz Garzón em processo

Eduardo Saiegh foi sequestrado e torturado pelo regime quando era dono do Banco Latinoamericano

Efe,

14 de julho de 2010 | 20h33

BUENOS AIRES- UM ex-banqueiro vítima da ditadura militar argentina pediu nesta quarta-feira, 14, que o juiz espanhol Baltasar Garzon seja citado como testemunha em uma causa por crimes de repressão contra José Martínez de Hoz, ex-ministro de Economia do regime.

 

A petição, apresentada por Eduardo Saiegh, afirma que Garzon o incluiu como vítima de sequestro, torturas e extorsão ao processar em 1999 o ex-ditador Jorge Videla e outros acusados de genocídio pelo desaparecimento de espanhóis, em um processo instruído pelo juiz em Madri, de acordo com fontes judiciais.

 

Por meio de uma carta, Saiegh também pediu o testemunho do advogado argentino Carlos Slepoy, que representa vítimas espanholas da ditadura argentina (1976-1983) em processos instruídos na Espanha.

 

O texto destaca que tanto Garzon como Slepoy tiveram uma "importante intervenção" em investigar seu caso, que ambos estarão em Buenos Aires nestes dias e poderiam testemunhar no processo instruído pelo juiz federal Daniel Rafecas pela prisão ilegal e torturas sofridas pelo ex-banqueiro.

 

Martínez de Hoz, de 84 anos, que foi ministro da Economia entre 1976 e 1981, está sendo processado pelo sequestro com extorsão dos empresários Federico e Miguel Gutheim, cometido em 1977, quando se negaram a cumprir uma exportação em benefício da ditadura.

 

Saiegh acusa o ex-ministros e outros chefes do regime militar de serem responsáveis pelo seu sequestro, em outubro de 1980, com a finalidade de forçá-lo, por meio de torturas, a admitir crimes com os quais justificaram o fechamento do Banco Latinoamericano, do qual era diretor.

 

Em um veredicto de novembro de 1999, Garzon destacou que "as vítimas de origem judia" da repressão desencadeada pela ditadura foram "especialmente objeto de depredação por parte dos responsáveis militares", a quem Saiegh acusou de apoderar-se "ilegalmente de seus bens".

 

Garzon discursará em um foro parlamentar no Congresso Judeu Latinoamericano em Buenos Aires nesta quinta e na sexta participará do ato de comemoração em lembrança do atentado terrorista que arrasou a Associação Mutual Israelita-Argentina (AMIA) em 1994.

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