Vítimas de atentado criticam presente de Maradona

Ex-craque presenteou presidente do Irã com uma camisa da seleção

Efe

12 de janeiro de 2008 | 10h49

Os parentes de vítimas do atentado contra uma associação judaica, em 1994, em Buenos Aires, estão indignados com Diego Maradona por ele ter dado uma camisa da seleção argentina ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. "É uma vergonha e é degradante", ressaltou Sergio Burstein, diretor do grupo Parentes e Amigos das Vítimas do Atentado à Amia (Associação Mutual Israelita Argentina). O ataque causou 85 mortes e é atribuído a terroristas islâmicos ajudados pelo Governo do Irã.   "Ver o presidente do Irã com essa camisa realmente causa uma dor profunda. É uma ofensa", acrescentou Burstein em declarações à "Agência Judaica de Notícias" ("AJN"), de Buenos Aires. Maradona há poucos dias rebateu as críticas recebidas da coletividade judaica da Argentina, a segunda maior da América depois da que vive nos Estados Unidos, por ter expressado o desejo de conhecer a Ahmadinejad. Ele disse que "nunca" se mete "em política".   A agência oficial iraniana "Irna", citando fontes governamentais, informou hoje que Maradona enviou de presente a Ahmadinejad uma camisa sua e reafirmou seu desejo de conhecer pessoalmente o presidente do Irã.   "Maradona não pode dizer que não faz política: isto é política. Ele não quer entender ou não liga, mas nós ligamos, porque na Argentina houve mais de 100 mortes por causa do terrorismo", expressou Burstein.   "As mãos de quem recebeu a camisa de Maradona estão manchadas de sangue", disse o dirigente. Ele acusou Ahmadinejad de proteger "há tempos" ex-funcionários do Governo iraniano cuja captura foi pedida pela Justiça argentina.   Eles são procurados por suposta cumplicidade com o grupo terrorista que cometeu o atentado de 1994. "Maradona não tem direito, apesar de ter defendido essa camisa como ninguém. Ela é do povo argentino e hoje está em mãos de quem ameaça o país e ofende a todos que pretendem verdade e justiça", enfatizou Burstein.   Antes do atentado que arrasou a sede da Amia, terroristas islâmicos atacaram a embaixada de Israel em Buenos Aires em março de 1992, deixando 29 mortos e cerca de 100 feridos.

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