Vitória de Chávez entristece venezuelanos expatriados

Milhares de venezuelanos radicados no exterior viajaram no domingo a Nova Orleans a fim de participar da eleição presidencial, e a maioria voltou para casa frustrada com a nova reeleição de Hugo Chávez.

KATHY FINN, Reuters

08 de outubro de 2012 | 09h55

Em aviões e ônibus fretados ou de carreira, ou em seus próprios carros, venezuelanos precisaram viajar à Louisiana porque a Venezuela fechou neste ano seu consulado em Miami. A maioria declarava voto no rival de Chávez, Henrique Capriles.

"Nós nos sentimos orgulhosos por termos feito esse esforço. Infelizmente, o resultado não é o que esperávamos", disse a professora Becky Prado, que vive em Miami desde 2002.

Ela viajou 16 horas de ônibus para votar, e conversou com a Reuters por telefone, na noite de domingo, quando já voltava para casa. "Vimos os resultados nos nossos celulares. Houve choro. Não é uma viagem feliz", disse ela. "Tem whisky no fundo do ônibus."

Durante o dia, a fila de eleitores nos arredores da zona eleitoral, montada num centro de convenções de Nova Orleans, se estendia por vários quarteirões. Muitos venezuelanos cantavam o hino nacional e agitavam bandeiras do país. Palmas eclodiam cada vez que chegava mais um ônibus com eleitores.

O sentimento predominante era a torcida pelo fim do governo de Chávez, um socialista eleito pela primeira vez em 1998 e que se tornou a principal voz antiamericana da América Latina.

Carolina Norgaard já estava na fila fazia três horas e meia, e provavelmente teria de esperar mais uma antes de votar, mas dizia valer a pena. "Hoje é o dia em que tomamos a decisão mais importante para o nosso país", disse.

Venezuelanos de classe média e alta, assustados com a criminalidade e com a redução das oportunidades econômicas, lideraram o êxodo de profissionais venezuelanos nos últimos anos.

Segundo o Censo dos EUA, havia no país em 2010 cerca de 215 mil venezuelanos, bem mais do que os 91 mil de dez anos antes. A maioria vive em Miami e arredores, numa comunidade majoritariamente antichavista.

Na eleição de 2006, Chávez teve apenas 2 por cento dos 10.799 votos de venezuelanos em Miami.

Chávez mandou fechar o consulado em Miami depois que o governo dos EUA expulsou a cônsul, acusando-a de ter conversado com colegas iranianos e cubanos sobre possíveis ataques cibernéticos aos EUA.

Por causa disso, 20 mil eleitores venezuelanos da Flórida, Carolina do Norte, Geórgia e Carolina do Sul precisaram viajar por conta própria até Nova Orleans, onde fica o consulado mais próximo.

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