Vitória de Porfirio Lobo é oficializada nas eleições de Honduras

Presidente deposto Manuel Zelaya, que está exilado na Embaixada Brasileira, pediu diálogo sobre reformas

AE/AP

22 de dezembro de 2009 | 10h15

O Supremo Tribunal Eleitoral de Honduras oficializou, na segunda-feira, a vitória do conservador Porfirio Lobo nas eleições presidenciais. O presidente deposto Manuel Zelaya, que está abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, pediu que Lobo dialogue sobre reformas, com o objetivo de tirar o país da crise provocada pelo golpe de Estado.

 

Em cadeia nacional de rádio e televisão, os magistrados eleitorais informaram sobre o resultado definitivo das eleições de 29 de novembro. A disputa eleitoral ocorreu em meio à crise gerada pelo golpe militar de 28 de junho que depôs Zelaya.

 

Segundo a contagem final, Lobo, do opositor Partido Nacional, obteve 56,5% dos votos. Em segundo ficou o candidato do Partido Liberal, Elvin Santos, da mesma sigla de Zelaya e do presidente de facto, Roberto Micheletti.

 

Lobo terá uma maioria cômoda no Congresso, já que seu partido obteve 71 dos 128 postos para a Câmara dos Deputados. O Partido Liberal obteve 45 cadeiras. Além disso, o Partido Nacional contará com a metade dos 20 deputados hondurenhos no Parlamento Centro-americano.

 

O presidente eleito deve assumir em 27 de janeiro, para um mandato de quatro anos.

 

Zelaya, que na segunda-feira cumpriu três meses confinado na Embaixada Brasileira, após voltar em segredo ao país, questionou a legitimidade dessas eleições. Algumas nações, incluindo os Estados Unidos, reconheceram as eleições como uma saída para a crise. Mas boa parte da comunidade internacional, incluindo o Brasil, contestou a disputa e ainda pede a volta de Zelaya ao poder.

 

Horas antes do anúncio das autoridades eleitorais, Zelaya reiterou em declarações à rádio Globo que mantém sua postura de "não renunciar". Ele disse que está disposto a negociar em qualquer cenário com Lobo, para impulsionar reformas sociais, econômicas e políticas.

 

Zelaya disse que o governo de facto e os militares pediram a ele que renunciasse, como uma condição para deixá-lo sair da Embaixada do Brasil, mas ele se negou. Apesar de não reconhecer as eleições, Zelaya considerou necessário o diálogo com Lobo, a fim de retomar a discussão por uma Assembleia Constituinte. O tema, delicado no país, foi o estopim para o golpe que derrubou Zelaya. O então presidente pressionava por um referendo a fim de reformar a Constituição, mas o Judiciário e o Parlamento consideraram essa ação inconstitucional, o que motivou a queda de Zelaya.

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