Viúva admite ter matado governador na Argentina

Susana Freydoz disse a policiais que faziam segurança dos dois que atirou no marido

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

02 de janeiro de 2012 | 23h10

BUENOS AIRES - Susana Freydoz, viúva do governador de Río Negro, Carlos Soria, morto no domingo, é a responsável pelo crime, afirmou nesta segunda-feira, 2, a Justiça provincial. Informações extraoficiais indicam que o caso se trata de um crime passional, já que Susana teria descoberto que o marido tinha uma amante. Ela passará por um exame psiquiátrico.

Segundo o presidente do Tribunal Superior de Justiça da província, Victor Nievas, todos os policiais que trabalhavam como guarda-costas do governador – e no momento dom disparo estavam fora da casa – ouviram a confissão da viúva.

“Não quis matá-lo”, disse Susana após o crime. De acordo com o juiz, o caso está “70% resolvido”.

Nievas indicou que Susana – em suposto estado de choque - teria agido em um estado de “emoção violenta”, fato que poderia implicar em uma menor pena de prisão. O promotor Miguel Angel Fernández Jahde anunciou que pedirá um exame psiquiátrico para determinar se Susana “por acaso tinha noção da criminalidade de seus atos”.

Informações extraoficiais indicam que Susana teria matado o marido após descobrir que ele tinha uma amante. Outros rumores sugerem que ela havia ficado furiosa ao saber que Soria não tinha intenção de levá-la de General Roca, onde residiam, para Viedma, capital da província, onde ela teria funções de primeira-dama.

“As discussões do casal ocorriam desde a campanha para o governo da província”, afirmou o juiz Nievas. “Tiveram intensas discussões. O confronto final foi encerrado com esse homicídio.”

Ciúmes. Susana tinha fama de “ciumenta” e “possessiva” em Rio Negro. Soria era conhecido pela ausência de sutilezas em uma discussão e de ser facilmente irritável.

No dia da morte, o vice-governador Alberto Weretilnek, que assume na terça-feira como o novo governador, tentou colocar panos quentes. Segundo ele, a morte de Soria teria sido “um acidente doméstico”.

O governador foi morto sobre a cama de sua casa, na cidade de General Roca, com um tiro calibre 38 no rosto na madrugada do dia 1º. Seu corpo foi enterrado na segunda-feira à tarde. A cerimônia fúnebre foi presenciada somente pelos parentes e uns poucos amigos da família, já que os filhos rejeitaram a ideia de um funeral público.

Peronista e aliado da presidente Cristina Kirchner, ele foi eleito nas eleito nas eleições gerais de 23 de outubro e assumiu o mandato em 10 de dezembro. Sua vitória colocou fim a 28 anos de domínio da União Cívica Radical (UCR) em Río Negro, uma das províncias da Patagônia.

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