'Você é igualzinho a mim', canta Chávez para Bush na China

Presidente venezuelano faz 'serenata' ao criticar a crise financeira que atingiu os Estados Unidos

Agências internacionais,

25 de setembro de 2008 | 09h51

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez uma curta "serenata" ao presidente norte-americano, George W. Bush, cantando "você é igualzinho a mim" sobre o homem que ele já chamou de burro e diabo. O venezuelano disse que a crise financeira mundial forçou Bush a reconhecer falhas do sistema econômico, que Chávez diz ter apontado por anos. "Estou falando como o Bush, mais ou menos. Que novidade!", disse Chávez, depois de citar o aviso de Bush de que os Estados Unidos estão no meio de uma grave crise financeira, que pode empurrar a economia para uma recessão de longo prazo. Depois, ele chocou os jornalistas com um tom mais brando, para, em seguida, voltar às críticas a Bush, dizendo que o regime "imperialista" é o responsável pela crise.  "O presidente dos Estados Unidos finalmente reconheceu que há uma crise... que eles são os responsáveis pelo colapso que está acontecendo no mundo agora, o tsunami financeiro", disse o presidente da Venezuela em uma coletiva de imprensa em Pequim. "O socialismo é a única rota para a salvação do mundo", proclamou. Chávez defende que o sistema econômico socialista da Venezuela, baseado em grandes empresas estatais, protege o país do tumulto que assola os mercados. Intitulando-se maoísta, Chávez está na China com o objetivo de estimular as vendas de petróleo e garantir dinheiro extra para programas de desenvolvimento na China.  Financiamento aos esquerdistas A China e a Venezuela podem operar um fundo bilateral de investimentos para governos de tendências de esquerda na América Latina, disse o presidente venezuelano nesta quinta-feira. A intenção declarada de Chávez é reduzir a submissão dos países da região aos Estados Unidos. Ao encerrar uma visita de três dias à China, Chávez disse que conversou sobre isso com o presidente chinês, Hu Jintao. O líder venezuelano pretende incluir países como Paraguai, Equador e Bolívia nesse fundo, atualmente usado apenas para financiar projetos de desenvolvimento na Venezuela. Os presidentes do Equador, Rafael Correa, da Bolívia, Evo Morales, e do Paraguai, Fernando Lugo, são aliados de Chávez. Os três já fizeram críticas à política norte-americana dentro e fora da América Latina.

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