Voto em mulheres é rejeitado por 30% na Argentina

Números indicam, no entanto, que argentinos deverão eleger Cristina Kirchner à Presidência

BBC Brasil,

26 de setembro de 2007 | 18h08

A quase um mês das eleições presidenciais argentinas, marcadas para o dia 28 de outubro, as pesquisas de opinião revelam que cerca de 30% dos eleitores rejeitam a idéia de votar numa mulher, mas aproximadamente 42% deverão eleger a senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner no primeiro turno do pleito. Os dados são dos analistas políticos Jorge Giacobbe, da consultoria Giacobbe e Associados, Rosendo Fraga, da Nova Maioria, e Graciela Römer, da Römer e Associados.  "É a primeira vez que a Argentina vota em uma mulher para presidente. Já votou em mulher para vice que chegou à Presidência (María Estela Martínez de Perón, a "Isabelita Perón", no poder entre 1974 e 1976), mas não para presidente", disse Giacobbe.  A disputa eleitoral conta com a presença de duas mulheres entre seus principais candidatos. Além de Cristina, participa da corrida a ex-deputada Elisa Carrió, da Coalizão Cívica.  Isabelita Perón  Na opinião de Giacobbe, há três meses - antes de confirmar que seria a sua mulher, e não ele, o candidato do governo à Presidência - o presidente Néstor Kirchner contava com 52% das intenções de voto.  "Esse dado reforça o desafio que terá Cristina, caso eleita, de mostrar que quem governará será ela e não ele."  Segundo Giacobbe, os 30% que se negam a votar em uma mulher são, na maioria, homens e mulheres com mais de 50 anos de idade que têm más lembranças da gestão de Isabelita Perón.  Seu governo, afirmam historiadores, foi um período "dramático" na vida política argentina, abrindo caminho para a ditadura militar (1976-1983).  Giacobbe diz que outro fator que explicaria o comportamento dos eleitores de não querer votar em mulheres seria o machismo. Mudanças  Hoje, segundo Giacobbe, Fraga e Römer, os votos em Cristina Kirchner estão concentrados nas classes mais pobres.  "Apesar de serem os que mais sofrem com a inflação, os mais carentes votam, tradicionalmente, no candidato do oficialismo. Para eles, qualquer outro significaria incerteza", disse Fraga.  "Já a classe média e, principalmente, os eleitores dos grandes centros urbanos, buscam alternativas de voto e são hoje os mais avessos ao governo Kirchner."  Segundo Römer, hoje 80% dos eleitores argentinos acham que a inflação vai subir, mas ainda assim votarão em Cristina. "O eleitorado argentino quer mudanças, mas não muitas", afirmou.  Muito tempo  Graciela Römer recordou que os candidatos Elisa Carrió e o ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, estão tecnicamente empatados em segundo lugar, com cerca de 15% das intenções de voto.  Para ela e Giacobbe, muitos eleitores ainda estão esperando chegar mais perto das eleições para saber quem será o possível segundo lugar nas pesquisas para depois definir o voto.  "E o segundo lugar será, provavelmente, um homem", disse Giacobbe, explicando que sua previsão tem como base o fato de existir uma alta rejeição ao voto em mulheres.  Ele não descarta que o segundo lugar seja uma "surpresa", como por exemplo, o presidenciável Alberto Rodríguez Saá, que conta com cerca de 5% das intenções de voto.  "Um mês na Argentina é muito tempo", disse Giacobbe.

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