Vulcão chileno estaria em fase crítica, diz especialista

O vulcão chileno Chaiténingressou em uma fase crítica ao completar, na quinta-feira,uma semana de atividade, tendo expelido cinzas que chegaram aalcançar até mesmo Buenos Aires, capital da Argentina. Luis Lara, vulcanólogo do Serviço Nacional de Geologia eMinas (Sernageomin), disse à Reuters que os vulcões comcaracterísticas semelhantes às do Chaitén, como o Pinatubo, dasFilipinas, não passaram de sete dias de atividade constante. O Pinatubo entrou em erupção em 1991, após séculos deinatividade, e seu fluxo piroclástico e de lava destruiumilhares de casas. "Uma coluna eruptiva com essas características estáultrapassando seu ponto de equilíbrio e deve estar perto domomento em que entrará em colapso de uma vez ou gradualmente",afirmou Lara. "Cada dia que passa, a situação fica maiscrítica", acrescentou. Essa informação foi repassada ao governo chileno, queordenou a retirada de todas as pessoas localizadas em um raiode 50 quilômetros do vulcão e usou até mesmo a força paraafastar os moradores que se recusavam a deixar suas casas eanimais, sobretudo no povoado de Chaitén, localizado a 10quilômetros do vulcão. "O risco não é de que chegue lava, mas de que cheguemcorrentes piroclásticas, que são muito mais velozes edestrutivas", afirmou Lara. Em Puerto Montt, onde o governo instalou seu centro deoperações a fim de monitorar o vulcão e dar ajuda aosretirados, as reuniões entre as autoridades sucedem-se semparar. A presidente chilena, Michelle Bachelet, deve desembarcarna cidade na tarde de sexta-feira. Enquanto o Chaitén continua em atividade, aumentam asincertezas entre os retirados da zona de emergência, quepermanecem em albergues ou na casa de familiares, sem saberainda quando poderão voltar para seus lares. "Já faz vários dias que estamos aqui e ninguém nos diz comoestá o Chaitén. Estou desesperada. Aqui a gente não sabe denada. Não podemos ficar assim", afirmou à Reuters IluminadaIde, em Puerto Montt. A única coisa que se sabe claramente, por enquanto, é queessas pessoas não poderão voltar agora para sua terra, hojecoberta pelas cinzas do vulcão, e nem para suas casas, queabandonaram de forma relutante, em uma operação sem precedentesno Chile. As autoridades não descartaram a possibilidade de mudar opovoado de Chaitén de lugar. "Em um mundo ideal, eu levaria esse povoado para um lugarmais seguro", afirmou Lara. Mas não apenas os chilenos foram afetados pela enormecoluna de cinzas formada sobre o vulcão. As emanações deleatingiram várias áreas da Argentina, entre elas Buenos Aires.

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