Vulcão chileno expele lava; autoridades esvaziam região

Chaitén intensifica atividade e área está em alerta máximo; Buenos Aires deve ser tomada por cinzas

Agências internacionais,

06 de maio de 2008 | 10h44

O vulcão Chaitén, em erupção há cinco dias, aumentou sua atividade na manhã desta terça-feira e passou a expelir lava e uma coluna de cinzas que já alcança 20 quilômetros de altitude. Autoridades chilenas ordenaram a retirada de todos os habitantes da região.   A presidente do Chile, Michelle Bachelet, de volta a Santiago depois de visitar a área do vulcão, informou que a retirada dos moradores do entorno foi ordenada porque a lava poderia chegar em apenas 20 minutos ao povoado de Chaitén, a apenas 10 quilômetros da cratera.   O governador da província de Palena, Fernando Aguila, informou ter ordenado a retirada de cerca de 280 pessoas depois de cerca de 4 mil habitantes terem deixado voluntariamente o povoado. Chaitén é a capital de Palena, uma província no esparsamente povoado sul do Chile.   "Todos temos que sair do povoado de Chaitén imediatamente", disse um jornalista da rede estatal TVN, em meio ao som de sirenas que indicavam o traslado urgente em balsas, o único meio na região cercada por fiordes e golfos.   Argentina   As cinzas liberadas pelo vulcão Chaitén podem chegar nesta terça até a província de Buenos Aires, na Argentina, a mais populosa do país, por causa dos ventos. Além disso, pelo segundo dia consecutivo, o fenômeno obrigou escolas a suspenderem as aulas em várias localidades da Patagônia argentina, cujas ruas voltaram a amanhecer como se uma nevasca tivesse caído.   Até agora as cinzas do Chaitén só caíram sobre a província argentina de Chubut, mas o Serviço Meteorológico Nacional previu que elas podem atingir a região vizinha de Río Negro e o sul de Buenos Aires por causa de uma mudança na direção dos ventos. Os locais mais afetados pela queda de cinzas são Trelew, Esquel e Corcovado, que juntas têm população de 70 mil habitantes no oeste da província de Chubut, cerca de 1.900 quilômetros ao sul da capital argentina.   O fenômeno também foi percebido por moradores da cidade de Puerto Madryn, no litoral do Atlântico. As autoridades explicaram que as cinzas causam problemas nas vias respiratórias e na vista, e por isto distribuíram máscaras e jogam água nas ruas das cidades atingidas para que as cinzas se assentem.   Apesar de a água contaminada pelas cinzas não ser tóxica, o governo de Chubut também organizou um sistema de distribuição de água potável para as famílias que vivem nas regiões limítrofes com os povoados, inclusive na fronteira com a cidade chilena de Futaleufú.   A situação obrigou a interrupção das atividades turísticas no Parque Nacional Los Alerces para que seu pessoal ajude os moradores da região diante dos problemas provenientes da erupção do Chaitén. A Secretaria de Meio Ambiente de Desenvolvimento Sustentável da Argentina enviou uma equipe técnica para controlar a situação na área.   As linhas aéreas que operam na região chegaram a cancelar por algum tempo seus vôos para as cidades de Comodoro Rivadavia e Trelew por causa da forte nuvem de fumaça vulcânica sobre a província de Chubut.

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