Vulcão em erupção obriga Chile a esvaziar mais cidades

Autoridades preparam-se para desocupar cidade na região da Patagônia no 4.º dia de erupção do Chaitén

Reuters,

05 de maio de 2008 | 16h26

As autoridades do Chile preparam-se para esvaziar uma cidade da remota região da Patagônia nesta segunda-feira, 5, enquanto cinzas saíam do vulcão Chaitén pelo quarto dia após sua primeira erupção em milhares de anos.  A presidente chilena, Michelle Bachelet, viajou até a cidadezinha de Futaleufú, a segunda a ser esvaziada, enquanto os moradores dali arrumavam os pertences que levariam.  Veja também:Repórter da rádio Eldorado relata atrasos no aeroporto de Buenos Aires  Vulcão em erupção obriga Chile a desocupar cidadesVulcão chileno deixa cidades argentinas cobertas de cinzas A cidade fica a cerca de 1,3 mil quilômetros ao sul da capital do Chile, Santiago, e a 160 quilômetros a sudeste do vulcão Chaitén, que não está muito distante de uma importante região mineradora do país. Na sexta-feira, o vulcão entrou em erupção, desenhando uma nuvem em formato de cogumelo enquanto expelia cinzas a uma grande altitude.  Nesta segunda-feira, o Chaitén continuou soltando gás quente e cinzas, chegando a atingir até mesmo a vizinha Argentina.  As autoridades chilenas foram surpreendidas pela erupção de um vulcão considerado há muito tempo inativo. Não se detectou ainda qualquer fluxo de lava, mas especialistas não descartaram a possibilidade de haver uma erupção mais violenta. "Não temos certeza sobre o que acontecerá com o vulcão", afirmou Bachelet a repórteres na cidade sulista de Puerto Montt, onde estão muitos dos 4,2 mil moradores tirados da cidade de Chaitén. "Não sabemos se ele continuará a expelir cinzas, são sabemos se haverá lava. E, por esse motivo, adotamos medidas de precaução, o que significa esvaziar as cidades", acrescentou. O Escritório Nacional de Emergências afirmou que alguns dos cerca de mil moradores de Futaleufú haviam cruzado a fronteira rumo à Argentina, onde certas áreas também ficaram cobertas por cinza e cujas autoridades, na semana passada, fecharam escolas e deram atendimento a pessoas com problemas respiratórios. Bachelet pediu aos moradores das áreas atingidas que protegessem seus olhos e que usassem máscaras a fim de evitar a inalação das cinzas. Em alguns locais, há uma camada de mais de 15 centímetros de cinza, cobrindo casas, carros, árvores e reservatórios de água. Além dos pastos. Segundo Bachelet, cerca de 25 mil cabeças de gado existentes na região encontravam-se sob perigo iminente. A Marinha enviou ração para parte desses animais e pretendia retirar alguns deles ao sair da região. Uma mulher idosa morreu de um ataque cardíaco ao ser retirada de Chaitén, no domingo, afirmaram meios de comunicação chilenos. Não há registro do vulcão ter entrado em erupção nos últimos 2 mil anos, afirmou a Sernageomin, uma agência do governo na área de mineração e geologia. Luis Lara, um geólogo da agência especializado em vulcões, disse que a erupção era razoavelmente grande e poderia ficar ainda mais intensa. Na pior das hipóteses, o vulcão poderia colapsar, o que provocaria a formação de rios de lava, ou o pico dele poderia explodir, disse. O sul do Chile divide-se em várias pequenas ilhas e fiordes. Alguns moradores de Chaitén nunca haviam deixado a cidade. Isso até o vulcão de mil metros de altura, localizado a 10 quilômetros de distância da cidade, tê-los obrigado a fazer isso. O Chile possui a segunda cadeia mais ativa de vulcões do mundo, ficando atrás apenas da Indonésia.

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