Roberto Pereira/Estadão
Roberto Pereira/Estadão

Yoani Sánchez enfrenta protestos em aeroportos e elogia democracia

Blogueira cubana diz que manifestação foi 'banho de democracia' que não aconteceria em Cuba

Guilherme Russo, enviado especial,

18 de fevereiro de 2013 | 08h38

(Texto atualizada às 14h30) A blogueira cubana e colunista do Estado, Yoani Sánchez, se deparou com mais protestos no aeroporto de Salvador, Bahia, por volta das 8h30 desta segunda-feira, 18, assim como já havia ocorrido em Recife durante a madrugada.

Manifestantes ligados a União da Juventude Socialista esperaram a blogueira no aeroporto Luis Eduardo Magalhães com cartazes escritos "mercenária". O grupo, que também portava cartazes de elogios ao regime cubano, gritavam "Cuba sim, yanques não."

Ao perceber o novo protesto, os organizadores da visita da ativista ao Nordeste entraram em contato com um responsável da Infraero, que guiou a comitiva para a pista do aeroporto, de onde uma van do terminal levou o grupo a um outro veículo do gênero, alugado pelos financiadores de Yoani no Brasil. Pouco antes de cruzar o portão do terminal, porém, a via de acesso ao local foi tomada pelos manifestantes, que descobriam o desvio.

Ao chegar no apart-hotel onde Yoani se hospedou, no fim da manhã, em Feira de Santana, o condutor da van foi orientado a dar duas voltas no quarteirão antes de parar, para que a comitiva se certificasse de que não enfrentaria um novo protesto.

Recife

Quando deixou o setor de desembarque internacional do aeroporto do Recife, à 0h45 desta segunda-feira, Yoani Sánchez também encarou um protesto organizado por movimentos de esquerda. Contrários à presença da dissidente do regime castrista no Brasil, pelo menos 20 manifestantes entoavam máximas a favor de Havana, enquanto acusavam a ativista de defender interesses dos EUA, chamando-a de "mercenária" e "agente da CIA".

Yoani qualificou a manifestação como "um banho de democracia e de pluralidade". "Isso é algo que não vejo em meu país. Gostaria que houvesse essa liberdade no meu país. Com insultos, estou acostumada. Tenho a pele curtida contra xingamentos. Isso não me machuca. Na ausência do argumento, há o grito. Isso é cotidiano na minha vida."

Cercada por apoiadores, jornalistas e manifestantes, a blogueira demorou sete minutos para percorrer os cerca de 50 metros entre o saguão de desembarque e a sala de imprensa do terminal. Depois de dar entrevistas por quase duas horas, seguiu por um setor restrito do aeroporto até um escritório da companhia aérea que a levaria para Salvador no início da manhã. Os manifestantes, porém, já tinham ido embora. "Foi um dia para contar aos meus netos."

Entre fotógrafos e repórteres que se acotovelavam para registrar a imagem de sua chegada e suas primeiras declarações no País, Yoani agradecia pelo amuleto e uma estatueta artesanal típica que ganhou do documentarista Dado Galvão, que a entrevistou no documentário Conexão Cuba Honduras e organiza a visita dela pelo Nordeste. Juntamente ao blogueiro Rafael Velame e dois ativistas - um brasileiro e outro cubano - que também a receberam, o cineasta teve dificuldades para ajudar a cubana a evitar o protesto.

Sempre sorrindo, Yoani tentava caminhar em direção a uma sala onde concedeu entrevistas aos jornalistas que estavam no local. Durante o percurso, os manifestantes jogavam cópias de notas de dólares sobre a blogueira, que teve seu cabelo puxado por um dos manifestantes. Em sua maioria jovens universitários, eles a acusavam de ser financiada pelos EUA.

"Sou uma pessoa que trabalha", disse ao Estado, mostrando sua carteirinha de "conta-propista", emitida após o governo cubano ter autorizado a população a praticar 181 atividades profissionais autônomas desde 2011. A permissão de trabalho de Yoani é de datilógrafa e técnica de informática (reparadora de computadores). "Não há autorizações para filologia (sua formação) ou jornalismo." Yoani também afirmou que, "desde pequena" escuta em Cuba que "todos os dissidentes são financiados pelos EUA".

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