Zelaya chama decisão do Congresso de 'vergonhosa'

Presidente deposto afirma que continuará na embaixada brasileira lutando pela condenação do golpe

Efe,

03 de dezembro de 2009 | 07h38

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou que a decisão do Congresso de Honduras rejeitando a sua restituição representa um "delito", e também foi classificada como "vergonhosa".

 

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Após uma sessão que durou mais de sete horas, e na qual os deputados anunciavam seus votos por um sistema de som, o Congresso cumpriu a responsabilidade que lhe foi atribuída pelo Acordo Tegucigalpa-San José, assinado em outubro por representantes de Zelaya e do governo de fato, liderado por Roberto Micheletti. Dessa forma, o parlamento ratificou a decisão tomada no dia 28 de junho de destituir Zelaya. O resultado final superou por larga margem a maioria exigida por lei para que o presidente deposto não voltasse ao cargo - dois terços dos parlamentares.

 

"O povo hondurenho deve saber que a maioria dos deputados que ratificaram seu delito são cúmplices confessos, que estão de acordo com o sangue derramado por mártires", disse Zelaya - que permanece na embaixada brasileira em Tegucigalpa - por telefone à Agência Efe. "O que vai acontecer agora? Continuo na embaixada do Brasil lutando pela condenação da ditadura e agora também contra a fraude eleitoral que aconteceu no domingo. As eleições não representam uma saída para o país", acrescentou.

 

Zelaya, para quem o resultado da votação "é vergonhoso para a nação" afirmou ainda que "o mundo inteiro deve saber que a maioria dos deputados golpistas ratificou o golpe contra o presidente constitucional". "Além disso, digo ao povo e à comunidade internacional que minha luta é pacífica e que continuo com meus princípios democráticos", garantiu.

 

O presidente deposto afirmou que no Congresso Nacional "havia 24 deputados que desde o princípio rejeitaram o golpe", e que exigiam sua restituição ao poder, embora na votação apenas 14 dos 128 parlamentares manifestaram apoio a ele. Em carta divulgada após a sessão, Zelaya disse que os hondurenhos "conheceram um a um os deputados e deputadas que traíram o Congresso e a democracia no dia 28 de junho (...) e violaram a Constituição".

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