Zelaya chega à Costa Rica nesta 4ª para discutir Honduras

Com mediação de líder costa-riquenho, presidente deposto e governo golpista se reunirão pela 1ª vez na quinta

08 de julho de 2009 | 10h24

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, desembarca na Costa Rica nesta quarta-feira, 8, para se reunir o presidente costa-riquenho, Oscar Arias, mediador para a crise política desencadeada após o golpe de Estado. O governante de facto, Roberto Micheletti, deve chegar ao país apenas na quinta-feira, quando está prevista a primeira reunião para encerrar o impasse.

 

Veja também:

linkChanceler hondurenho pede desculpa a Obama por fala racista

linkLula pede resposta dura contra golpe de Estado

som Podcast: Gustavo Chacra fala sobre as negociações

mais imagens Fotos: Galeria com imagens de protestos em Honduras

especialEntenda a origem da crise política em Honduras

linkPerfil: Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda

blog Entrevista dos golspitas: realismo fantástico

lista Ficha técnica: Honduras, um país pobre e dependente dos EUA 

 

Arias, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1987 por liderar o acordo de paz que pôs fim à guerra civil em El Salvador, atuará como mediador para buscar uma saída para o conflito. O chefe de Estado costarriquenho afirmou que seu objetivo será não deixá-los ir embora até que cheguem a um acordo, e advertiu que as conversas podem continuar durante o final de semana caso seja necessário.

 

O caminho para um acordo que encerre a crise política de Honduras é tortuoso. Apesar de terem aceitado as negociações, os dois lados anunciaram que se manterão firmes em suas posições. Zelaya assegurou que sua meta é "a restituição" de seu governo, mas Micheletti afirmou que "negociar nada", apenas "dialogará". "Temos claro que tudo o que foi feito aqui - a destituição de Zelaya pelos militares - se enquadra na lei e na Constituição da República", destacou Micheletti.

 

Desde o último dia 28, Honduras está imersa em uma profunda crise política, quando o Exército deteve Zelaya e o expulsou do país, para a Costa Rica. Horas depois, ele foi destituído pelo Congresso, que nomeou Micheletti como novo chefe de Estado. A comunidade internacional rejeitou unanimemente o que considera como um golpe de Estado e exigiu o retorno de Zelaya ao poder.

 

O governo de facto de Honduras começou a ceder porque está sob intensa pressão econômica. Segundo fontes, Tegucigalpa tem petróleo suficiente para apenas mais cinco dias. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal aliado de Zelaya, cortou na quinta-feira o fornecimento de petróleo subsidiado para o país, que no mês passado aderiu à Aliança Bolivariana para as Américas (Alba).

 

Os Estados Unidos suspenderam a ajuda econômica a Honduras, mas não o auxílio humanitário. Um porta-voz do Departamento de Estado confirmou que devido aos eventos em Honduras foram suspensos os programas de assistência ao governo, levando em conta uma disposição que ordena o rompimento em caso de golpe. No entanto, esclareceu que essa mesma disposição não afeta os programas dirigidos ao povo de um país. "Portanto, ainda se esta dando ajuda alimentícia, à prevenção do HIV/aids e outras doenças, para a sobrevivência infantil e para desastres, assim como assistência que facilite a realização de eleições", assinalou.

 

O porta-voz indicou que a suspensão é aplicada a programas de assistência militar e outros de ajuda ao desenvolvimento destinados ao governo de Honduras. Segundo o Departamento de Estado, o montante da ajuda militar suspensa é de cerca de US$ 16 milhões.

Tudo o que sabemos sobre:
HondurasCosta Rica

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.