Zelaya concorda que haja uma reconciliação em Honduras

Para presidente deposto, contudo, anistia do Parlamento irá favorecer os 'golpistas que o tiraram do poder'

Efe,

11 de janeiro de 2010 | 18h44

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta segunda-feira, 11, que concorda com o governante eleito no dia 29 de novembro, Porfirio Lobo, no ponto de que o país precisa de uma reconciliação, mas com justiça.

 

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Zelaya afirmou que o processo de anistia que será discutido nesta semana pelo Parlamento hondurenho procura favorecer os que o tiraram do poder. "Eu concordo com que haja reconciliação, mas a reconciliação é buscar que haja justiça em Honduras, que se aplique a lei em Honduras", destacou o presidente deposto em entrevista concedida por telefone à rádio Globo.

 

Lobo disse na semana passada que Honduras precisa de uma reconciliação para superar a divisão interna gerada pelo golpe de Estado contra Zelaya. "Nós queremos que neste país haja justiça, que os juízes sejam independentes, que não obedeçam a influências políticas, nem influências econômicas", acrescentou Zelaya.

 

O presidente deposto também declarou que desconhece o projeto de anistia que será discutido no Parlamento, mas, segundo ele, o programa irá favorecer 'os golpistas que o tiraram do poder'."Com a anistia, os golpistas não querem ver os delitos que cometeram aqui como um golpe de Estado", disse, ao lembrar que esse ponto não está incluído no acordo Tegucigalpa-San José. "Não foi discutido, não se conhece o projeto, portanto, não nos pronunciamos sobre ele".

 

Zelaya anunciou que a Frente Nacional de Resistência Popular, que o apoia, fará uma manifestação no próximo dia 27 - dia em que o mandato de Zelaya terminaria - para protestar "contra a ditadura instalada aqui com a perda da democracia".

 

Manoel Zelaya foi tirado do poder em 28 de junho de 2009 e tirado do país pelo militares. Para seu lugar, o Congresso designou Roberto Micheletti, até então presidente do Legislativo. No dia 29 de novembro, Honduras elegeu como novo presidente Porfirio Lobo, que assumirá no próximo dia 27.

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