Zelaya continua sendo presidente de Honduras, diz Obama

Para líder americano, golpe é 'ilegal' e não restituição do chefe de Estado abre 'terrível precedente'

Agência Estado, AP e Reuters,

29 Junho 2009 | 17h23

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta segunda-feira, 29, que o governo dos Estados Unidos consideram "ilegal" o golpe de Estado em Honduras, e que o chefe de Estado deposto, Manuel Zelaya, segue sendo o líder do país centro-americano. Obama destacou que se Zelaya não for reinstalado na presidência hondurenha será aberto um "terrível precedente", e ressaltou que irá trabalhar com a Organização dos Estados Americanos (OEA) e outros países e instituições para colocá-lo novamente no poder.

 

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Obama comentou a crise política em Honduras logo após uma reunião com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, no Salão Oval da Casa Branca. Mais cedo, a secretária de americana, Hillary Clinton, afirmou que a situação em Honduras resultou "em um golpe". Governos da América Latina e Europa condenaram nesta segunda-feira a deposição de Zelaya, e pediram que o conflito seja resolvido pela via democrática.

 

Brasil e Uruguai asseguraram que não reconhecerão nenhum governo hondurenho que não seja o de Zelaya, deposto e expulso do país. A Organização das Nações Unidas convidou Zelaya a falar na Assembleia Geral do órgão. Hillary disse que os Estados Unidos estudam qual consequência terá a crise em Honduras para os programas de assistência ao país. Segundo ela, a OEA enviará uma delegação a Honduras "para começar a trabalhar" com os setores em conflito na restauração do governo constitucional."É importante que tomemos uma posição a favor do Estado de direito", afirmou.

 

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse em seu programa de rádio semanal "Café com o Pesidente" que não aceitará nem reconhecerá nenhum governo de Honduras que não seja encabeçado por Zelaya, "porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia". Honduras arrisca-se a ficar isolada do resto da América Latina se o mandatário deposto não retornar à presidência, advertiu

 

Lula, que disse ter conversado sobre a situação com os presidentes de Paraguai, Fernando Lugo, e do Chile, Michelle Bachelet. "Não podemos aceitar mais na América Latina que alguém queira resolver seus problemas de poder pela via do golpe", concluiu o chefe de Estado.

 

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também condenou a expulsão de Zelaya e pediu seu imediato retorno ao poder. "A solução para qualquer disputa deve se buscar sempre no diálogo e no respeito às normas democráticas", afirmou Zapatero na noite de domingo, em comunicado.

 

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto Brockmann, disse que havia convidado Zelaya a Nova York, para que informe diretamente sobre a situação do país. D'Escoto disse que a deposição do líder hondurenho foi um ataque indigno à democracia.

 

Em Londres, o porta-voz do Escritório de Relações Exteriores Chris Bryant assegurou que "o Reino Unido condena a expulsão do presidente Zelaya e a restauração do governo democrático e constitucional em Honduras". Na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse que a detenção de Zelaya e seu exílio forçoso na Costa Rica "violam a ordem constitucional."

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