Zelaya dá prazo de 1 dia para negociações

Zelaya dá prazo de 1 dia para negociações

Óscar Arias, o Nobel da Paz de 1987, garantiu fazer propostas até este sábado

Associated Press e Efe

18 de julho de 2009 | 06h50

O presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya disse que dará aos negociadores como prazo até o primeiro minuto do domingo para chegar a um acordo que o restitua ao cargo.

 

Além disso, disse que não aceitará uma solução que recompense o novo Governo de Roberto Micheletti, em referência a uma proposta do governante da Costa Rica, Óscar Arias, de formar um Executivo de união no país.

 

"Amanhã, esperamos que depois das primeiras 24 horas pedidas pelo mediador (Óscar Arias), depois das próximas 48 horas, 72 horas e agora mais de 200 horas, mais de dez dias de espera, deem um sinal", afirmou. Ele se referiu às exigências das Nações Unidas e da OEA para que seja restituído.

 

"Não conheço em detalhes a proposta (de Arias), mas se diz que haverá prêmios para os golpistas, desde já digo que não posso aceitar", disse Zelaya em entrevista coletiva, ao ser questionado sobre uma sugestão que implica a formação de um Executivo liderado pelo presidente deposto.

 

O líder deposto reiterou que os "golpistas" devem ser levados aos tribunais de justiça do mundo, e não ser "premiados" com cargos.

 

A proposta

 

"Uma possibilidade é estudar a constituição de um gabinete que integre todas as forças e seria um gabinete de unidade, de reconciliação, que dê segurança ao povo hondurenho", disse Arias na sexta-feira, 16, ao negar que exista um acordo sobre esse ponto.

 

Assegurou que vai fazer as propostas até este sábado com o fim de debatê-las com as comissões de alto nível enviadas por Zelaya e o mandatário designado pelo governo de facto de Micheletti.

 

"Estamos propondo algumas medidas que considero convenientes e podem servir para achar o caminho e o restabelecimento da ordem constitucional, uma é essa do governo de unidade e outra é a anistia política, nada mais política, para todas as partes", acrescentou o Prêmio Nobel da Paz 1987.

 

O Governo também seria formado por ministros afins a Micheletti, de acordo com a proposta apresentada pelo presidente costarriquenho antes de as delegações do líder golpista e do governante deposto iniciarem, neste sábado, a segunda rodada do processo de mediação para buscar uma solução à crise em Honduras.

 

Zelaya disse que nunca dará um "cheque em branco aos golpistas" e que seria uma "aberração" conceder ministérios a pessoas aliadas a Micheletti. Por isso, considerou que a proposta de Arias, prêmio Nobel da Paz 1987, "não está sendo bem interpretada".

 

OEA

 

Zelaya reiterou que seu único pedido nesse processo de diálogo é que os "golpistas" cumpram as resoluções da Organização dos Estados Americanos (OEA) e das Nações Unidas, que ordenam que o presidente seja restituído imediatamente na Presidência.

 

"Até o momento, não houve um só gesto deles, no sentido de que vão se submeter a essa resolução", afirmou. Ele disse esperar que os "golpistas" deem "uma mensagem", se não, reafirmou, considerará que, "neste momento", o processo de diálogo "fracassou".

 

"Ter uma porta aberta sempre será um regime de concessão nosso em direção a uma possibilidade de buscar soluções a nosso problema como hondurenhos", explicou.

 

Zelaya assegurou que voltará a seu país "mas não vai dar aos golpistas nem a data, nem a hora, nem o lugar, o se vai pela terra, pelo ar ou pelo mar, porque estão matando gente".

 

Manuel Zelaya defendeu também o apoio de "solidariedade expressa, não de forças, nem de armas" dado pelo governante venezuelano, Hugo Chávez, assim como por outros líderes da região.

 

O presidente deposto aproveitou para defender a Administração de Barack Obama, que, disse, "se comportou como deve se comportar" após o golpe de Estado realizado em 28 de junho.

 

No entanto, observou que os "setores mais sombrios" dos Estados Unidos apoiam o "Governo ilegítimo de Honduras".

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