Zelaya e Micheletti se reunirão para discutir crise em Honduras

Encontro, que acontecerá na Costa Rica na próxima quinta, foi anunciado por Oscar Arias, mediador do impasse

07 de julho de 2009 | 17h42

Na condição de mediador da crise política em Honduras, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, anunciou nesta terça-feira, 7, que as conversas para tentar solucionar o impasse começarão na próxima quinta, em San José, com a presença do chefe de Estado deposto, José Manuel Zelaya, e do presidente de facto, Roberto Micheletti.

 

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Arias disse ter conversado por telefone com Zelaya, Micheletti e Hillary Clinton, secretária de Estado americana, para assumir a tarefa de "facilitador" de uma solução do conflito desatado após o golpe que depôs Zelaya, em 28 de junho. "Ambas as partes me convidaram para ser um facilitador para sentar-se e negociar", continuou o líder costa-riquenho. Ele adiantou que o presidente deposto chegará à Costa Rica na noite de quarta-feira, enquanto Micheletti deve desembarcar na manhã de quinta.

 

Pouco antes do anúncio de Arias, Micheletti afirmou, após um encontro com Hillary em Washington, que o presidente da Costa Rica "parece ser a pessoa certa" para tentar resolver a crise. O Departamento de Estado americano também fez comentários sobre as conversas. "O importante é estabelecer um processo que leve à restauração da ordem constitucional", enfatizou Ian Kelly, porta-voz do governo americano.

 

Kelly disse também que os EUA suspenderão a ajuda "que beneficia diretamente o novo governo de Honduras", incluindo a assistência militar, mas explicou que o departamento de Estado ainda não definiu quanto vai bloquear após o golpe de Estado, que no último dia 28 depôs Zelaya.

 

Ainda nesta terça, em Moscou, o presidente dos EUA, Barack Obama, reiterou seu apoio aos esforços para reconduzir Zelaya à presidência de Honduras, independentemente de o centro-americano se opor a diversas políticas de Washington.

 

Num discurso a universitários na Rússia, Obama enfatizou que seu governo não indicará a outros países quem devem ser seus governantes. Segundo o presidente, os EUA não apoiam Zelaya por estarem "de acordo com ele, mas porque respeitam o princípio universal de que os povos devem eleger seus próprios líderes, concordemos com eles ou não."

 

Em Honduras, simpatizantes do presidente deposto prometem dar sequência aos protestos dois dias depois de Zelaya ter tentado, sem sucesso, retornar ao país. Neste domingo, o exército hondurenho bloqueou a pista do aeroporto de Tegucigalpa, impedindo o regresso do líder deposto. Pelo menos duas pessoa morreram em choques entre manifestantes e forças de segurança nas proximidades do local.

 

Arias: experiência em mediação

 

O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que mediará o diálogo para tentar acabar com a crise em Honduras, ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 1987 durante seu primeiro mandato (1986-1990) pela mediação de conflitos da América Central. Na época, Arias foi bastante crítico à interferência dos EUA na guerra civil na Nicarágua. Atualmente, ele cumpre seu segundo mandato, que terminará em maio. "É uma honra para mim e para a Costa Rica poder ajudar", afirmou, ao comentar as negociações sobre Honduras.

 

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